O adversário mais difícil da vida

Depois do Outubro Rosa, novembro é o mês de conscientização, prevenção e diagnóstico do câncer de próstata. E nós queremos relembrar a história do jogador de futebol Ederson, do Flamengo, que sofreu com um tumor no testículo, e precisou se afastar da rotina no clube para iniciar o tratamento diante do seu pior adversário: o câncer.

Tudo começou em julho de 2017, quando o meio-campista foi diagnosticado após o resultado de dois exames de doping que foram positivos nas partidas contra o Atlético Mineiro e o Atlético Goianiense. A substância que gerou a suspeita foi o beta-HCG, que estimula a produção de testosterona. Na época, o Flamengo convocou uma coletiva de imprensa e explicou a situação do atleta, desejando ainda forças ao jogador que passaria por uma cirurgia o mais rápido possível.

Ederson, em 2017, estava com 31 anos e fazia parte da faixa etária em que normalmente é diagnosticado este tipo de tumor (30 a 35 anos). Outros atletas como Arjen Robben, Yeray Álvarez, Douglas Friedrich, Jonas Gutierrez, Jebbe Sand e Magrão (ex-Palmeiras, aposentado) no futebol; além do Nenê Hilário no basquete; Lance Armstrong no ciclismo; Jake Gibb no vôlei de praia; e Mike Lowell no beisebol, também passaram pelo mesmo tipo de diagnóstico nesta faixa etária, e todos voltaram a executar atividades físicas posteriormente, diante da boa recuperação, motivando ainda mais o jogador do Flamengo.

Em sua partida mais difícil, Ederson precisou retirar o testículo e implantar uma prótese. Posteriormente, passou por algumas sessões de quimioterapia, realizando em dezembro de 2017 a retirada da massa residual da região. Com o tratamento agressivo e a descoberta da doença que iniciou-se pelo abdômen, o jogador ainda retornou para os treinos em 2018 e foi relacionado para alguns jogos do Flamengo, vencendo este adversário que quase acabou de vez com sua carreira, ou melhor, sua vida.

Antes do diagnóstico do câncer, Ederson chegou a ficar 311 dias afastado dos gramados, por conta de uma entrada dura do lateral corinthiano, Fagner. A sequência de sua carreira foi acompanhada de lesões e cirurgia no joelho esquerdo, que é ainda sentida pelo jogador.

Ederson no Flamengo

Apresentado em 24 de julho de 2015, o meia Ederson encerrou o contrato no final de junho de 2018, comunicando que não renovaria o compromisso com a equipe, pois faria uma pausa na carreira para tentar resolver definitivamente o problema das dores no joelho.

Ele jogou pela última vez com a camisa rubro-negra no dia 11 de junho de 2017, em um empate por 1 a 1 contra o Avaí, e ao longo de sua carreira no Flamengo, ele defendeu a equipe em 39 jogos e fez quatro gols.

O clube, que tinha vínculo com o jogador até dezembro de 2017, chegou a estender o contrato por mais seis meses, devido ao tratamento do câncer diagnosticado no meio daquele mesmo ano. Em 2018, o jogador chegou a ser relacionado para alguns jogos, mas não entrou em campo.

Vencendo esta partida

O tumor corresponde a 5% da totalidade de casos de câncer entre pessoas do sexo masculino, e tem baixo nível de mortalidade, sendo facilmente curado quando detectado no início, conforme o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

O testículo que contém o tumor, assim como no caso do Ederson, é substituído por uma prótese de silicone, e fisicamente, o homem não fica com nenhum problema que o diferencie dos demais, por exemplo, a impotência ou perda de fertilidade, que normalmente são os motivos que mais preocupam.

Não espere o adversário chegar em campo, se adiante e se toque. O sinal mais comum neste tipo de diagnóstico é o nódulo ou o inchaço no testículo, e segundo os médicos, 60% dos nódulos são indolores e 40% são seguidos de dor. É válido lembrar que, com o resultado precoce, a chance de vencer este jogo é de 99,5%. E você, está esperando o que para se tocar? Vamos vencer este jogo juntos!

Imagem: Gilvan de Souza - Flamengo