Futebol e marca própria: uma análise sob o ponto de vista do Marketing

No ambiente universitário, fui questionada por um dos professores: “Até onde vai o seu amor por uma marca?” Mas o que veio em minha mente foi: “Até onde vai o seu amor pelo seu time?” Em um mercado onde a pirataria domina, pelo baixo custo e por ser muito parecido com o produto original, ainda há pessoas que não pensam duas vezes antes de comprar um produto que, mesmo mais caro, ainda assim é de melhor qualidade.

Para especificar o tema abordado, vamos falar sobre camisas de time, especificamente sobre os clubes que investem em marca própria. Alguns times ultimamente vem adotando a ideia de investir em sua própria grife de roupas, uniformes e produtos oficiais, essa pode ter sido uma das grandes sacadas de marketing e de gestão financeira.

Tudo começou em 2016, quando o Paysandu, após recusar um novo contrato com a Puma, resolveu se aventurar ao lançar sua própria marca de materiais esportivos, surgindo assim a Lobo. De início, muitos torcedores ficaram assustados e um tanto quanto receosos pela nova atitude do clube. Após ver que a empreitada estava dando certo, outros clubes atentos, resolveram embarcar na ideia.

Resultado da fala que utilizamos no marketing: “Não precisa ser o pioneiro, basta saber aproveitar a ideia.” Foi isso que o Fortaleza fez. Um processo de benchmarking, no qual a empresa examina como outra realiza uma função a fim de fazer semelhante ou melhor. Outros clubes partiram da mesma ideia: o Juventude com a 19Treze, o Joinville com OCTO, Treze com a Galo e o Santa Cruz com a Cobra Coral. O caso mais recente é o Bahia, que criou a Esquadrão, se tornando o primeiro clube da série A a ter marca própria de materiais esportivos.

A grande sacada que faz com que os clubes invistam em sua própria grife é o que muitos torcedores não sabem: Quando se compra uma camisa oficial na loja do clube, apenas uma pequena parte do lucro vai para o clube em si. E o que nos leva, como um bom torcedor, a comprar um produto oficial do clube é o sentimento de importância. Nos sentimos importantes para a economia do time, já que de alguma forma estamos contribuindo, além do sentimento de carregar consigo um produto oficial e de melhor qualidade.

Analisando pela visão do marketing, as marcas próprias são um grande diferencial e benefício para os clubes. E para os torcedores? Trago duas análises sobre o assunto: Primeiro a questão financeira, sai muito barato ficar responsável pela criação, confecção e distribuição do material, além disso, ao invés de uma porcentagem, o time fica com todo o lucro das vendas.

O segundo é a forma que o clube tem de estreitar ainda mais seus laços com o torcedor, visto que o próprio nome da marca é relacionado com a história do clube. Atingindo o emocional, levando além do escudo em seu lado esquerdo do peito, uma marca significativa no lado direito.

Atualmente, o Santos traz outra novidade. O clube tem um contrato diferenciado com seu fornecedor, onde ele próprio é responsável pela distribuição, assim ficando com uma maior porcentagem de participação.

A grande questão é: vale investir em uma marca própria no futebol? Ao meu ponto de vista, sim. É rentável para o clube e uma maneira de se aproximar mais ainda com o torcedor. A ideia é nova e até agora, quem tem apostado na ousadia, tem tido bons resultados. Marca própria não é uma moda, é uma necessidade.

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