Esportes iguais e tratamentos diferentes. Pode isso?

As dimensões do campo são iguais, a altura das goleiras está na mesma média, o peso da bola é idêntico, as equipes sempre possuem 11 atletas para jogo… E todas as outras regras valem tanto para o futebol masculino quanto para o feminino. Porém, infelizmente, quando vemos além das quatro linhas, parece que o esporte é outro, completamente diferente.

Enquanto aquele futebol formado por homens movimenta milhões de reais, revela ídolos e leva milhares de fanáticos aos estádios, a modalidade composta por mulheres ainda pede por mais espaço, reconhecimento e, acreditem, salários dignos para as jogadoras no Brasil. Em pesquisas, tem-se o resultado de que algumas atletas recebem uma “ajuda de custo mensal” que vai de 700 a mil reais. Não é nem um pouco necessário analisar contratos de jogadores homens para tentar comparar.

Já nas categorias de base, cheias de jogadores ainda em processo de formação, os atletas esbanjam carros luxuosos e até mesmo contratos milionários com clubes estrangeiros. Aqueles garotos que possuem mais destaque na equipe chegam a embolsar 10 mil reais de salário por mês. Mesmo com um cenário extremamente desanimador, o número de meninas que sonham em seguir os passos da nossa Marta sobe cada vez mais.

Tratando-se de Marta, eleita a melhor jogadora do mundo por seis vezes, podemos dizer sobre uma exceção, pois a meia do Orlando Pride tem seu salário mais valorizado do que as que atuam no Brasil. Por que? Apenas pelo fato de o nosso país não dar a importância necessária para tal. Diferente daqui, o exterior torna-se saída financeira, pois há valorização do esporte como um todo. Mas acontece que poucas têm essa chance, já que cerca de 35 jogadoras atuam fora do país, o que é um número baixíssimo, sendo que praticamente a mesma quantidade de brasileiros homens jogam na Série A da Itália, somente.

Olhando para os principais clubes que possuem estrutura para o futebol feminino, os maiores salários ficam em torno de 3 a 4 mil reais, o que é um valor irrisório comparando com o dos homens, que normalmente ganham a partir de seis dígitos em times da primeira divisão. Na regra do pagamento para as mulheres, é dito apenas que serão ajudas de custo, sem nem ter carteira assinada. Assim, a maior parte das jogadoras obrigam-se a manter um duplo emprego.

Grandes clubes estão realizando mais peneiras femininas do que antigamente, ou seja, o preconceito que se tinha com isso felizmente diminuiu bastante. Mas o que realmente pesa é essa ideia de que elas raramente vão se profissionalizar, que não é tão fácil quanto para os meninos. O futebol feminino no Brasil ainda precisa de muito reconhecimento e apoio, para que assim consiga tornar uma carreira para as mulheres que a quiserem.

Foto: Fox Sports