#SomosTodosIguais, Consciência Negra e futebol: por que em 2018 ainda há casos de racismo no futebol?

Sempre ouvi nas aulas de história que o Brasil é um país de diversas culturas. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, temos contato com diversos povos, de culturas diferentes, que são traduzidas à nossa colonização. Quando falo em colonização, falo dos índios, dos portugueses, dos espanhóis, ingleses, holandeses, italianos, japoneses, alemães e africanos. Cada um desses povos fez e faz parte do que hoje é conhecido o Brasil.

Assim como eles fazem partem da nossa história, alguns feriados também. Hoje, Dia Nacional da Consciência Negra, não é um feriado nacional, mas em 15 estados se recorda a morte de um dos quilombolas que lutou até sua morte pela liberdade e preservação da cultura do seu povo no Brasil: Zumbi dos Palmares.

Se em 1695, ano de sua morte, ele lutava pela representatividade do seu povo diante da sociedade, aos dias de hoje pouca coisa mudou. No futebol, por exemplo, quando Charles Miller voltou da Inglaterra trazendo consigo uma bola de futebol, sabia que ali iniciava um futuro ao esporte nacional… para os brancos.

Quando o futebol passou a fazer parte da vida dos brasileiros, em 1895, a aristocracia dominava as ligas e o esporte era traduzido na várzea. Não havia profissionalismo, as regras eram impostas dos livros dos ingleses, e para os negros só sobrava assistir. Foi assim até 1920, quando eles passaram a ser aceitos nos times para poder se profissionalizar, em 1933.

Quem não lembra de ouvir falar do famoso pó de arroz usado por Carlos Alberto para jogar? Ou do time campeão do Vasco, pelo Campeonato Carioca, em 1923? Mas antes disso, há registros que o clube pioneiro a ter um jogador negro na sua equipe foi a Ponte Preta, em 1900. Miguel do Carmo pode ser considerado o primeiro jogador negro do país bem antes do futebol virar profissional.

Fonte: Observatório Racial Futebol

Apesar da luta do povo até hoje, o preconceito racial no esporte não é somente aqui no Brasil. Em 2010, a África do Sul sediava sua primeira Copa do Mundo. Na realidade, a primeira Copa do Mundo em um país do continente africano. Um marco para eles, um marco para nós, amantes do esporte mais popular do mundo. O Apartheid (1948-1994) não somente separou famílias, mas equipes. Por lá não existia o pó de arroz. Se você era negro, não jogava futebol. A SAFA, Associação de Futebol da África do Sul, suspendeu qualquer vínculo de jogadores negros em suas atividades, o que fez a FIFA banir o país de qualquer competição organizada pela entidade.

Fonte: Política FC

Pelé e o racismo

Um dos nossos maiores jogadores é negro. Já contei aqui sobre a história do Pelé. O que eu não mencionei foi sobre o apelido de “Gasolina” que o Rei ganhou na sua chegada ao Santos. Como a cor da substância que dá origem a gasolina é preta, muitos colegas de clube usaram a metáfora para definir o jogador. Na Suécia, por ironia, Pelé foi apelidado de “alemão”. Seu porte físico e cor de pele ironizaram, pelo apelido, a maioria das seleções ali presentes e o período que o mundo passava.

Na biografia “Pelé: estrela negra em campos verdes”, de Angélica Basthi, conta que em reportagem à revista Cruzeiro, logo após o primeiro título com a Seleção Brasileira, Pelé é comparado ao Saci-Pererê, personagem folclórico, e diz que na passagem com os companheiros de seleção pela Suécia, uma criança se assustou ao vê-lo falar.

Mas então paramos para pensar que isso tudo aconteceu há tempos atrás e que a situação é contrária agora. Claro, os jogadores negros já são aceitos, há uma miscigenação entre as equipes. No entanto, ainda há preconceito. Quem lembra do caso do lateral-direito Daniel Alves, quando ainda jogava pelo Barcelona, em que ia cobrar um escanteio e um torcedor jogou uma banana na sua direção, e ele ironizando a atitude, comeu a banana? Deve-se pensar: “Ok, isso foi na Europa”. Não foi muito diferente aqui. Arouca, volante do Vitória, quando ainda jogava pelo Santos, escreveu nas redes sociais após o ato de violência: “Somente discursos e promessas não resolvem a falta de educação e de humanidade de alguns”.

Todos esses atos demonstram que, mesmo passando por muitas situações iguais no passado, ainda parece não ter fim. A CBF procura junto com os clubes, conscientizar os torcedores e até mesmo jogadores quanto a isso. É bem comum vermos, durante os jogos, campanhas com os mais diversos temas: seja para Outubro Rosa, Novembro Azul, Setembro Amarelo ou para a luta contra a violência nos estádios. Mas também se vê a campanha que demonstra que, independente de raça, nós somos iguais. Talvez apareça no display enquanto os jogadores jogam, em uma placa ao lado do gol ou em faixa levada pelos jogadores de ambos os clubes. Seja qual for o meio da campanha, o viés é único.

Fonte: Redação Mackenzie