Quando o assunto é dinheiro, o esporte fica em segundo plano

Toda prefeitura recebe uma certa quantia de verba para o esporte de sua respectiva cidade. Raros fazem um verdadeiro investimento, um planejamento para que esse dinheiro se aplique e de algum retorno de certa forma. Erros, todos nós seres humanos estamos a mercê deles. Mas cometer o mesmo erro duas vezes? Deixar na mão atletas pela segunda vez? Apenas uma gestão com muita falta de empatia com os praticantes e com muito despreparo para exercer sua função consegue fazer.

Foto: Divulgação/Seleção de Juquiá

Esses erros aconteceram com a cidade de Juquiá, do estado de São Paulo. Pelo segundo ano seguido as 14 atletas do futsal feminino foram vice-campeãs dos Jogos Regionais, que classificou-as para os Jogos Abertos que ocorrem na cidade de São Carlos durante os dias de novembro, mas elas não puderam disputar os jogos. “O sentimento é de indignação pois não dão valor ao esporte da cidade, e muito menos ao futebol feminino, pois na hora que precisamos de ajuda ou apoio não estão dispostos a ajudar e dão prioridades a outras coisas. Nós lutamos para conseguir vaga nos jogos abertos que não é fácil e mais uma vez não fomos” relatou Larissa Cordeiro, pivô da equipe.

Existiu muito esforço de cada menina para conseguir essa vaga que, como foi relatada pelas atletas, foi muito difícil de se conseguir. Afinal, para conseguir ingressar nela se passa por uma competição que exige muito e tem fortes oponentes. Foi criada uma expectativa e ansiedade muito grande para ir até São Carlos, um sentimento de que “esse ano vai”, mas infelizmente não foi. Algo desanimador, já que é tão difícil ser mulher e ter um espaço numa modalidade tão preconceituosa, e tudo só piora quando se tem dependência de órgãos públicos que não dão valor para os jovens talentos que residem em sua cidade.

Quando foi perguntado sobre desistência e desanimo, a atleta Larissa nos disse que ela e suas companheiras de equipe pensam em manter o time, mas deixar de representar a cidade de Juquiá. “Porque mais um ano nos deixaram na mão e não tem cabimento continuar representando uma cidade que não dê valor pra gente, que se precisarmos novamente talvez não seremos atendidas.” Justificou a pivô.

Conversamos também com Saulo, técnico da equipe e popularmente conhecido como Tico, que nos deu um breve relato sobre a sua indignação, pedindo mais valorização para o Futebol Feminino. Ele e seu time, que até então jogavam por Juquiá, continuarão juntos em 2019 só que por outra cidade. Mesmo com toda a injustiça que ocorreu, as atletas seguem com o seu treinador alegando todo empenho dele para ajuda-las e reconhecendo o trabalho realizado pelo mesmo.

O esporte, como um todo, tem sofrido muito com a falta de verba e de apoio, ficando sempre em segundo plano. Muitas das vezes, existem gestores de cidades que não investem simplesmente por não quererem. Talvez usem o dinheiro para beneficio próprio ou para outras coisas. Não olham para o esporte da forma que deveriam. Imaginem só como não ficou a cabeça e o coração de cada uma dessas meninas. Todo empenho indo por água abaixo. A disputa de um Jogos Abertos é sonho para muitas atletas, momento único e de muita experiencia para quem consegue participar e para quem sonha com uma futura carreira profissional. Ei, meninas! Eu sei como as coisas são e estão difíceis, mas não desistam, não parem. Continuem lutando, as coisas vão mudar.

Foto: Divulgação/Seleção de Juquiá