Game over do Ministério dos Esportes?

O esporte brasileiro passou a ser instituído no Brasil em 1937 sobre o período ditatorial varguista. A época, Getúlio Vargas tinha o controle cultural nas mãos, usando a publicidade a seu favor, para isso, usou a imagem do futebol – esporte que estava crescendo entre a população brasileira. Em livros de história podemos notar uma foto do ex-presidente em um carro passando pelo estádio do Vasco da Gama, no desfile do dia primeiro de maio.

Apesar de renomeado, o Ministério dos Esportes não tinha a autonomia que tem hoje. Por curiosidade, não que isso tenha total relação, na Era Vargas ele trabalhava junto com o Ministério da Educação, como uma divisão mais administrativa e com a participação dos oficiais do Exército. O que se especula hoje é que haja essa mesma junção de quando ocorreu no período varguista.

Há mais de uma semana, a população brasileira foi às urnas escolher o seu futuro presidente. Ao contrário de alguns países que esperam o mandado do atual presidente encerrar para falar das iniciativas do novo governante, Jair Bolsonaro, em poucos dias de eleito, já falava à imprensa sobre as mudanças para o governo em 2019.

Além de nomear alguns de seus ministros, comentou sobre a redução de pastas que caíra de 29 para 15, reduzindo aproximadamente 50% dos Ministérios do atual governo. Esse é o segundo menor número de ministérios na Esplanada, que antes, chegou a ter 39 no primeiro governo de Dilma Rousseff. O seu menor número foi durante o governo de Fernando Collor, que detinha somente 12 ministros.

Dentre os Ministérios que poderão ter sua pasta extinta, está o Ministério dos Esportes. Na redução, ele passaria a fazer parte, também com o Ministério da Cultura, da pasta educacional. Então, vem o questionamento: há necessidade de redução e junção de pastas para transformá-los em uma só?

Mesmo relacionando boa parte desse ministério com o futebol, o esporte vai muito além da modalidade de paixão nacional. Os trabalhos em ações de inclusão social, o acesso gratuito à prática esportiva, além da qualidade de vida e desenvolvimento humano, são papeis desencadeados pelo governo junto com o ministro e sua equipe.

Mas será que a junção faria parte do desenvolvimento humano voltado a ajuda que o esporte traz para a educação? Muitos atletas, ainda novos, quando precisam competir nas suas modalidades, são cobrados pelos técnicos para que tirem boas notas. Não é somente as notas que fazem com que eles ganhem disciplina. Um atleta precisa ter consciência dos horários de treinos. Alguns admitem, também, que o esporte tira o jovem da criminalidade.

Se pudermos dá um looping de 360º e voltar para a Era Vargas, onde “a propaganda é alma do negócio”, o novo governo tem um aliado para uma gestão que inclua a paixão nacional pelo futebol à maior entidade do esporte no país, a CBF.

Mario Celso Petraglia, presidente do Atlético-PR, não está cotado para assumir qualquer cargo na possível nova secretaria, mas sim, uma porta de entrada para dois caminhos: o aumento da influência do governo no futebol, e para Petraglia, a criação de uma liga de clubes – sonho este que já foi articulado com os projetos da Primeira Liga, Copa Sul-Minas, e sem sucesso, a criação da Futpar, associações dos clubes do Paraná que pretendiam organizar campeonatos. Vale lembrar que em seu plano de governo, o presidente eleito não apresenta nenhuma proposta que viabiliza o esporte.

Foto: Estadão