Fortaleza retorna à Série A depois de 12 anos

Por: Maggie Paiva

É de elite. O Fortaleza Esporte Clube venceu o Atlético Goianiense por 2 a 1, fora de casa, e carimbou um sonhado retorno à Série A – elite do futebol nacional, que o tricolor cearense não visitava há 12 temporadas. Foi a 19ª vitória, em 33 rodadas, do time de Rogério Ceni, que, nesta edição do Campeonato Brasileiro, nunca esteve fora do G4.

O bom filho à casa torna

Agora, depois de carimbar o acesso há quatro rodadas do fim da competição, o Leão segue no topo há 33 rodadas consecutivas, mesmo depois de sequências de tropeços que poderiam ter tirado a liderança do Tricolor Cearense.

O acesso antecipado fica com um gosto ainda melhor ao lembrar que, até 2016, o Fortaleza amargava uma permanência quase inevitável na Terceira Divisão. Foram oito temporadas consecutivas na Série C, desde a queda em 2009, uma draga que parecia não chegar ao fim.

Mas uma vez de volta à Série B, e com a chegada do técnico Rogério Ceni, o Leão surpreendeu. Fez campanha de time de Série A, fincou-se à primeira posição e se manteve grande no topo e em uma zona de acesso de onde agora não sai mais.

Essa vai ser a quarta participação de um dos maiores times do Ceará na elite: Antes disso, na era dos pontos corridos, o Fortaleza jogou na Série A nas edições de 2003, 2005 e 2006, ocasião em que ficou na primeira divisão por duas temporadas consecutivas.

Foto: Carlos Costa/Futura Press

Duelo

Para carimbar o acesso, o Fortaleza visitou o Atlético Goianiense, que precisava da vitória para tentar galgar um espaço no G4. No primeiro turno, o time de Goiás havia vencido o Tricolor em pleno Castelão, o que colocava ainda mais fogo na partida.

E foi o time da casa que começou nervoso, enquanto o Fortaleza jogou com a segurança de quem sabia o que tinha que fazer, com a certeza de que faria. Antes dos 15 minutos do primeiro tempo, o Leão já havia aberto o placar, com Gustavo – carinhosamente e justamente apelidado de GustaGol.

O segundo gol veio do lateral Bruno Melo, aos 25 minutos e, com uma bola na trave aos 30, o passeio do time de Ceni em plena casa do adversário estava bem encaminhado. A “vingança” pela derrota do primeiro turno estava quase completa, e com um gostinho a mais de classificação.

Na etapa complementar, o Dragão descontou no placar com um gol de João Paulo, em jogada individual, e reclamou de um pênalti – por uma suposta mão na bola dentro da grande área – aos 25 minutos do segundo tempo.

Mas a noite era mesmo do Fortaleza. Dois resultados contribuíram para o acesso adiantado do time cearense: O empate do Vila Nova com o Paysandu, por 0 a 0, e o 1 a 1 entre Avaí e Londrina. A combinação de resultados só favoreceu o Leão, que saiu de campo com a vitória e mais de um motivo para comemorar.

Um time, dois heróis

Depois da vitória, e de se tornar o primeiro time da Série B 2018 a garantir uma vaga na Primeira Divisão de 2019, o Fortaleza teve mais que os empates do 5º e do 6º colocado para agradecer.

No jogo do Estádio Antônio Accioly, o time teve muito a agradecer ao seu goleiro, Marcelo Boeck, que fez pelo menos cinco grandes defesas em uma partida onde o time da casa acumulou 28 finalizações e ficou com a maior parte da posse de bola.

E falando em agradecer a um goleiro, o Leão com certeza deve muito a um nome que fez história debaixo das traves: Como técnico, Rogério Ceni, eterno Mito, mudou a cara do Fortaleza para 2018. Mostrou que suas ideias para uma postura ofensiva não são apenas possíveis, como também efetivas, e faz história como líder de mais um Tricolor.

Não é à toa que, ainda nesta última semana, o presidente do time, Marcelo Paz, já sinalizava com a intenção de fazer uma proposta de renovação por dois anos para o treinador.

Acreditar é preciso

Para a torcida, parece um sonho. Ou pelo menos para Lucas Reis, 25, que torce para o Fortaleza desde a infância e esteve ao lado do time do coração em momentos de glória e de muita luta, das passagens pela Série A à interminável permanência na Série C.

“É inacreditável. ‘Os humilhados serão exaltados’ nunca fez tanto sentido. Depois de passar 8 anos na Terceira Divisão, depois de retornar à segunda e já vislumbrar a primeira é bom demais para ser verdade”, conta, rindo.

Agora jornalista, Lucas entrou na graduação em 2012, já com o Fortaleza na Série C. Com diversas tentativas frustradas do time para retornar à Segunda Divisão, ele costumava brincar dizendo que o Fortaleza só conseguiria o feito quando ele próprio conseguisse alcançar um sonho pessoal: entrar no Mestrado em Comunicação.

Coincidência ou não, foi exatamente o que aconteceu: o torcedor passou na seleção do mestrado, o time carimbou o retorno à Série B. Mal sabia ele, ou eles, que era apenas o início de uma subida sensacional.

“É uma sensação de alegria, mas também de saber que é uma divisão mais difícil e que o planejamento vai ter que ser ainda melhor pra fazer um bom campeonato, para não ter que lutar para não cair. Mas é uma alegria, depois de doze anos longe da primeira divisão”, ressalta.

O campeão voltou?

Com a combinação de resultados, o Fortaleza pode ter mais um motivo para comemorar já na próxima terça. O Leão precisa torcer por pelo menos um empate do Avaí, terceiro colocado na tabela, e ganhar em casa do CSA – segundo colocado – para garantir, depois do acesso, o título de campeão da Série B.

Para tornar a possível festa ainda maior, o jogo que pode “dar” o campeonato ao time cearense acontece no Castelão, casa do time, onde a torcida promete empurrar até o último minuto um leão que, por muito tempo, pareceu adormecido, mas tem rugido casa vez mais alto. Alguma dúvida que 2018, ano do centenário, é realmente o ano do Fortaleza?