Fiesta y miedo en las canchas

Por: Luisa Lopes

Boca Juniors e River Plate se enfrentarão pela primeira vez em uma final de Libertadores. Esse é o maior clássico de futebol de toda a Argentina. Reúne os clubes que mais vezes conquistaram o Campeonato Argentino e as duas maiores torcidas do país. Essa rivalidade, histórica, é marcada não só pela festa nas arquibancadas, mas pelo confronto das barras bravas fora do estádio. Por esse motivo, em 2013, foi instituída a torcida única nos clássicos do futebol argentino. Algo que o presidente da Argentina, Maurício Macri, suspendeu excepcionalmente para esses confrontos finais.

Martín Ocampo, ministro da Segurança da Cidade de Buenos Aires, confirmou que serão destinados quatro mil ingressos para os rivais, nos jogos que acontecem nos dias 10, na Bombonera, e 24 de novembro, no Monumental de Nuñez. Essa decisão será a última em jogo formato de ida e volta. A partir de 2019, a final da Libertadores terá partida única. Santiago, no Chile, já foi escolhido como sede da próxima edição.

A rixa entre “xeneizes” e “milionários”, como são conhecidos os torcedores de Boca e River, surgiu como uma disputa territorial: quem seria o melhor do bairro de La Boca, onde ambos foram fundados. No entanto, o River, depois de alguns anos, na década de 1920, “mudou-se” para Belgrano, bairro nobre de Buenos Aires, a 14 quilômetros do bairro operário onde fica o estádio rival. Apesar do distanciamento local, a rivalidade se acirrou. A disputa ganhou cada vez mais um contexto de “povo x elite”, que se mantém até hoje.

Hoje, La Doce e Los Borrachos Del Tablón, maiores torcidas organizadas de Boca e River, respectivamente, continuam se odiando por disputas internas de poder, mas o cenário se mistura cada vez mais com política bairrista. Em épocas de eleições, os barras são procurados por partidos em busca de apoio governamental e do clube. Dessa forma, eles enriquecem, fazendo da torcida um verdadeiro negócio.

Receber ingressos, uniformes, dinheiro e cobram uma porcentagem arrecadada por guardadores de carros e vendedores é realidade. A torcida e os bairros foram entregues as organizadas. Brigas e mortes se tornaram realidade nesse clássico argentino, mesmo com jogos de torcida única. A linda festa nas arquibancadas é fruto de um ambiente hostil movido pela paixão aos escudos que carregam no peito.

Por isso que a final River x Boca será um desafio para a segurança. Controlar o fanatismo que beira a loucura, por vezes, não foi possível. No último episódio, oitavas de final da Copa Libertadores de 2015, torcedores xeneizes jogaram gás de pimenta no túnel destinado aos rivais. Alguns jogadores chegaram a sofrer queimaduras pelo corpo. O duelo foi suspenso pela arbitragem e o time da casa foi eliminado da competição. Nessa ocasião, o River Plate consagrou-se campeão daquela edição.

Torcida do River Plate e do Boca Juniors, respectivamente