O outro lado do jogo não tem VAR

Futebol e política costumam andar lado a lado e isso não é novidade para ninguém. Ambos os assuntos costumam gerar polêmicas e discórdias e, mesmo que a gente insista em dizer que isso não se discute, estamos frequentemente trazendo esses temas para o nosso dia a dia.

No Brasil, direita e esquerda são como dois times rivais em uma disputa clássica de futebol, e para vencer a partida, ambos abusam das faltas e entradas agressivas, a fim de obter vantagem no final do jogo.

Fazendo uma pequena analogia entre os temas, é possível pensar que a política é como um campeonato, onde no primeiro turno todos os times, desde mais fracos até os mais fortes, disputam entre si, usando de estratégias para vencer o rival e avançar para a próxima etapa.

Quase sempre, os mais fortes e também conhecidos são os que levam vantagem e disputam o segundo turno do campeonato. Estes, procuram as falhas e desvantagens do rival para ganhar o jogo e conquistar o país.

Imagem: Poder em Rede

Os torcedores, muitas vezes fanáticos, vestem a camisa dos seus times e provocam por aí aqueles que têm opiniões e escolhas diferentes da sua. Com isso, surgem uma série de desentendimentos e disputas violentas por não respeitar um ponto de vista diferente, e assim, rejeitar a percepção do outro diante das convicções que ele teve para escolher o que seria melhor para ele. O mesmo acontece na política quando não conseguimos debater sobre o melhor candidato sem ter argumentos que incitam a violência.

Nós, torcedores, somos influenciados a nunca aceitar crítica ou zoação de um torcedor rival, e se mesmo depois de uma goleada inaceitável e inexplicável não tivermos argumentos para defender o time pelo qual torcemos, estaremos sendo infiel a ele. Há ainda, aqueles que se preparam para mostrar que na vitória ou na derrota o seu time (ou candidato) sempre será o melhor e que continuará sendo mesmo diante de um resultado negativo, mas não se colocam no lugar do outro.

Sabemos como é difícil concordar ou torcer para um rival, mas você já parou para pensar como seria ter apenas um time para torcer? Para ter uma ideia, é só nos colocarmos dentro de um jogo com apenas uma torcida. De certa forma, não terá toda aquela emoção de um clima de disputa que gera toda a adrenalina e a competitividade natural do ser humano.

Para que os times ou candidatos busquem evolução ou novas estratégias, ele precisa de um grande desafio que coloque o seu poder em risco. Sem isso, não haverá crescimento ou evolução e todos nós sairemos perdendo com isso. Bom mesmo seria se todos passassem a respeitar mais as diferenças, conviver com opiniões diferentes e aceitar a derrota para aquele que foi superior. Sabe-se também que nem sempre o melhor vence e que é preciso refletir e analisar o cenário para, assim, fortalecer no amadurecimento e crescimento de cada um.

Não é preciso concordar com uma opinião diferente da sua ou simplesmente torcer para um time que você não gosta, só é necessário respeitar o outro, buscando uma convivência mais harmoniosa.

Sabe-se que no futebol e na política existem avanços e retrocessos, acertos e erros, torcedores fanáticos e também aqueles que preferem não se envolver, mas acima de tudo existe o jogo sujo de cada lado, e quando isso acontece não há o que se comemorar. É neste momento que é necessário rever o lance e os candidatos, já que não existe VAR no campo político.

Estamos rodeados de rivais e pessoas com pontos de vistas diferentes dos nossos, mas precisamos respeitar e considerar a escolha de cada um, para que a rivalidade e a emoção seja como em um jogo sem torcida única.

Imagem: Lée|me