Futebol feminino não é pauta

“Acendam os holofotes, Marta foi eleita a melhor jogadora do mundo pela sexta vez”. Ops… Não, corta! “Quem vem ai é o Neymar”.

E não, críticos de plantão, eu não menosprezo o menino Ney, muito pelo contrário, mas pensando nas possibilidades de pautas para o meu texto semanal, eu me dei conta de que o futebol feminino quase nunca é pauta, quem dirá destaque.

Seremos sensatos, a bola no pé das mulheres só é lembrada em raríssimos momentos. A CBF, que se derrete de mimos aos grandes nomes do futebol masculino, tenta apenas pegar carona nas glórias da Marta, apenas para noticiar de forma sucinta e aproveitar do capitalismo da era. Não é igualdade, passa longe disso.

E vou ainda mais longe: não temos somente a Marta, existem jogadoras incríveis espalhadas por ai, mas você as conhece? Não, porque nem eu conheço todas se eu não procurar informação por conta própria, e ainda assim, no máximo, ache uma notinha no fim da página daquele clube que paga de “modernão” por puro marketing. Preciso repetir que isso não é igualdade?

Deixa eu frisar: não existe uma partida intitulada por gêneros, o que existe são talentos esquecidos, sonhos congelados, uma mídia ainda machista mesmo que ela seja induzida a isso, porque como estudante de jornalismo sei que o processo do “virar notícia” não depende só de um bom repórter querer noticiar algo, mas acredito veemente que, se uma pessoa tomar uma iniciativa, já estaremos lutando pelo início de uma nova era.

Esse blog aqui é a prova disso, o nosso slogan diz que “queremos ser ouvidas”. Às vezes é difícil, confundem nosso trabalho com brincadeira, passam batido dos nossos textos e correm para a nossa caixa de mensagem para nos “elogiar”. Pelo blog? Não, e você sabe que não.

Seguimos na resistência, lutando para que outras “Martas” possam aparecer, porque eu tenho certeza que existe muitas craques perdidas por ai!

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