Sem narração feminina novamente

Por: Paloma Stuchi

Nesse momento vemos um país dividido. Brigas intermináveis para expressar a sua razão por votar em fulano ou ciclano, mas você já imaginou a dor de ter a sua voz calada perante a sociedade? E isso que está acontecendo com as mulheres que decidem trabalhar com o jornalismo esportivo. A nossa luta diária foi vencida mais uma vez pelo machismo.

Hoje quando cheguei no trabalho fui surpreendida com uma das minhas chefes que me mandou a seguinte notícia “emissora de TV desfaz equipe feminina de narração esportiva”, a notícia me veio como uma bomba. Talvez uma bomba já esperada, mas que eu lhe via ainda muito longe. Esperava na verdade que ela nunca mais fosse lançada.

A narração feminina adquirida pela Rede Vida trazia uma grande vitória para as mulheres que lutam todos os dias por uma vaga nesse meio. Se tornava um sonho para as futuras narradoras ou comentaristas, mas isso tudo foi interrompido com apenas dois meses de projeto. Ver essa duas mulheres trabalhando com o nosso sonho, nos trazia a sensação de que conseguimos uma pequena conquista e seguir essa área nos faria mostrar cada vez mais que somos capazes de ocupar um lugar que é nosso por direito. E que não estamos no meio esportivo como um “símbolo sexual”, mas sim porque entendemos sobre o assunto e temos voz para discutir sobre ele com quem quer que seja.

Só que o nosso sonho foi mais uma vez interrompido. Nessa luta, mais uma vez fomos derrotadas. A bola furou. O gol de placa que a emissora fez, sumiu com a seção terrível do rebaixamento. Talvez você não consiga nos entender. Talvez ache que não é uma coisa tão ruim assim, como muitos homens dizem ao se referir as mulheres “fazem tempestade em copo de água.” Compare a nossa derrota com o seu sofrimento caso o politico que você apoia não seja eleito, só não se esqueça que o seu sofrimento talvez dure apenas 4 anos, mas para nós ele pode ser eterno, apenas pelo fato de sermos mulheres.

Foto: Viviane Falconi/Arquivo Pessoal