A queda de rendimento do futebol espanhol

Por: Vittoria Catarina

É certo que a Seleção da Espanha não vive os seus melhores momentos, a queda para os anfitriões nas oitavas de final da Copa do Mundo é a maior representação disso. Nada pior do que a frustração de ter saído na Fase de Grupos em 2014, logo após o melhor momento da sua história: a conquista do Mundial em 2010. Ainda assim, em momento algum deixou de ser cotada como uma das favoritas para a conquista dos títulos, isso pela representação do futebol local no cenário internacional.

Sim, por coincidência ou nem tanta assim, o Barcelona venceu a Champions League em 2008-2009, um ano antes da maior conquista da seleção. Andrés Iniesta, Carles Puyol, Gerard Piqué, Sergio Busquets, Víctor Valdés e Xavi Hernández, eram os nomes que faziam parte do Esquadrão Imortal e da equipe campeã mundial. Ainda assim, era só o começo de uma hegemonia que se instalaria do futebol espanhol no cenário Europeu.

Tudo bem, os considerados melhores jogadores do mundo de 2009 para cá não são espanhóis, mas os três estavam em atividade no futebol espanhol. Um português, um argentino e agora um croata. Não tem como ignorar esse feito, ainda mais reafirmado pelos títulos da Liga dos Campeões. De 2010 para cá, seis de novos títulos foram para clubes espanhóis. O mais surpreendente, ainda que não no auge da seleção, os últimos cinco permaneceram na Espanha.

Esse cenário pode ser o reflexo da diversidade de seleções dentro dos elencos, ainda que sem render frutos para a Espanha no presente, com certeza é uma grande influência para o futuro. Será mesmo que os meninos espanhóis que assistiram de perto Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e Luka Modric, não sentirão vontade de se tornarem bons como eles? É como assistir o seu super-herói, mas agora os poderes podem se tornar reais.

Depois de analisar esses cinco anos de brilhantismo do futebol espanhol, marcado pelas conquistas do Barcelona e do Real Madrid, você para e observa a tabela do Campeonato Espanhol. Um cenário totalmente incomum para quem vem acompanhando a competição nos últimos anos, um líder improvável: Sevilla. Ainda que forte nos últimos anos, bem distante dos recursos dos jogadores e financeiros dos outros três clubes – aqui ainda ambro espaço para o Atlético de Madrid.

Barcelona é o segundo colocado, com um ponto de diferença. A real surpresa é que, em oito jogos, abriram espaço para duas derrotas e um empate. Atlético de Madrid? Três empates e uma derrota. O Real Madrid está com duas derrotas e dois empates. Por que tamanha surpresa? É só analisar os números dos últimos campeões espanhóis. O Barcelona na temporada 2017-2018 foi derrotado apenas uma vez e empatou nove, em um campeonato com 38 rodadas.

O Real Madrid durante toda a temporada 2016-2017, perdeu apenas três vezes e somou seis empates. Barcelona em 2015-2016 ficou com cinco derrotas e quatro empates, já em 2014-2015 o número de derrotas era quatro. Na edição anterior, o Atlético de Madrid foi derrotado quatro vezes e somou seis empates. Em 2012-2013 o time catalão chegou a somar 100 pontos na La Liga, o Real Madrid fez o mesmo em 2011-2012, com apenas duas derrotas e quatro empates. Por fim, o Barcelona de 2010-2011 terminou com seis empates e duas derrotas.

A frustração do Real Madrid não se restringe apenas a maior competição nacional, mas se estende a Champions League. O clube aparece em segundo lugar na Fase de Grupos, em um pote composto por CSKA, Roma e Plzen. Isso porque os madrilenhos perderam para o CSKA na última rodada, jogando fora de casa, mas terminando a partida com um jogador a mais em campo. Fato é que o gol do clube russo veio de forma precoce (2′) e a expulsão de forma tardia (95′), mas se trata de um cenário totalmente inesperado.

Entre tantos resultados inesperados para o início de uma temporada, fica difícil de acreditar que o futebol espanhol estará no auge do cenário mundial neste ano. Isso porque outros clubes vem aparecendo, assim como outros países. O futebol italiano volta a aparecer com certa expressão, os clubes ingleses aparecem como os grandes favoritos. Enquanto isso, ainda abre-se espaço para o grande momento da França, que está feliz com o título Mundial e com a possibilidade de um clube se agigantar.

Foto: João Sucata