Para sempre Chapecoense: Documentário sobre tragédia de 2016 chega à Netflix

Por: Maggie Paiva

Chegou nesta terça-feira (2), à Netflix, o documentário Para Sempre Chape, filme com direção de Luís Ara, que retoma a história da tragédia vivida pela Chapecoense no final de novembro de 2016.

Na ocasião, o elenco – além de jornalistas e comissão técnica – seguia para a Colômbia, onde o time de Santa Catarina disputaria pela primeira vez uma final internacional, contra o Atlético Nacional, em Medellín. Era o primeiro de dois jogos que poderiam dar à Chape o título inédito da Copa Sul-americana, além de uma vaga na Libertadores do ano seguinte.

O filme – que estreou em agosto deste ano e tem 74 minutos de duração – chega à plataforma com depoimentos de sobreviventes do acidente, familiares e personagens da história do clube que havia experimentado uma ascensão meteórica – subindo ano após ano, da quarta para a primeira divisão do Campeonato Brasileiro – e vivia o melhor momento de sua história até então.

Assista ao trailer:

Voo 2933

A madrugada de 28 de novembro de 2016, há 673 dias, marcou a história do futebol nacional, antes mesmo que a maioria da população do país pudesse ter consciência do que estava acontecendo.

O brasileiro acordou com a notícia de que o Voo 2933, da empresa boliviana LaMia, que levava o time de Chapecó até a Colômbia, estava desaparecido. A confirmação não demorou a chegar: O avião havia caído a minutos do aeroporto de Rionegro, destino final dos 77 passageiros e tripulantes.

71 pessoas – incluindo o presidente do clube, vinte jornalistas brasileiros, parte da tripulação, o treinador e quase todo o time – perderam a vida naquela noite. Chegavam ao fim dezenas de sonhos, o ápice de carreiras que foram bruscamente encerradas e uma história de garra, glória e conquistas que apenas acabava de começar.

A tragédia que tomou lugar no Cerro Gordo – hoje Cerro Chapecoense – se tornou a maior da história do futebol e do jornalismo brasileiro, a dor – incomparável e indescritível – foi sentida no coração de cada compatriota das vítimas – brasileiros, paraguaios, venezuelanos e bolivianos.

O Brasil parou para acompanhar um evento, tão triste quanto histórico, que dilacerava em lágrimas faces por todo o território nacional, de pessoas completamente tomadas pela comoção de cada instante do drama que assumiu sua posição após o desastre, despertando a compaixão e a empatia de pessoas dentro e fora do país. Como gostamos de dizer em tantos momentos, não era só futebol.

Exame / Abril

Onde estão os sobreviventes?

Ainda na Série A, a Chapecoense seguiu o inevitável caminho de reconstrução, para se reerguer dos destroços do avião, honrar a memória e o legado daqueles que tiveram suas vidas abreviadas. Com um carinho que há muito ultrapassou os limites de Chapecó, o time conta ainda, no elenco, com dois dos jogadores que fizeram parte dos únicos seis sobreviventes do acidente.

O lateral Alan Ruschel, que sofreu fratura em uma das vértebras, correu o risco de ficar paraplégico, mas retornou aos campos em agosto do ano seguinte, quando entrou com o time em campo em um amistoso contra o Barcelona, e segue no elenco.

O zagueiro Neto, que ficou em coma por diversos dias, ainda não retornou ao futebol profissional, mas esteve em campo no final de 2017 em partida beneficente da Abravic (Associação Brasileira das Vítimas do Acidente com a Chapecoense) e voltou aos treinos no início deste ano.

Follmann, que acabou tendo uma das pernas amputadas após o acidente, segue parte do time como embaixador, além de comentarista do canal por assinatura Fox Sports. Em outubro do ano passado, ele se casou com Andressa Perkovski, com Ruschel e Neto como padrinhos.

O jornalista Rafael Henzel também retomou a carreira de narrador e se tornou ainda autor do livro Viva Como Se Estivesse de Partida, onde narra sua experiência pessoal diante da tragédia. Em Setembro deste ano, ele voltou a emocionar a torcida catarinense ao narrar os gols da vitória da Chapecoense por 2×1 sobre o Internacional, que brigava pela liderança do Campeonato Brasileiro, em partida disputada e emocionante na Arena Condá.

Ouça a narração:

A força do Verde

A tragédia que enlutou profundamente Chapecó – e o Brasil inteiro – lembra de perto outro acidente de avião, ocorrido também no mês de novembro (de 1970), coincidentemente com uma equipe que também trajava orgulhosamente o verde no uniforme.

O Marshall Thundering Herd, jovem time de Futebol Americano da Universidade Marshall (Virgínia, EUA) voltava de uma partida vitoriosa na Carolina do Norte quando o avião que transportava jogadores, amigos, familiares, convidados e a delegação da equipe explodiu e caiu após se chocar com as árvores da região, já perto de Huntington, casa da universidade, da equipe e dos passageiros.

Naquela noite, não houve sobreviventes, mas, assim como na tragédia do time brasileiro, o verde virou a cor de uma esperança – ainda que difícil de sustentar – de sobreviver, de seguir em frente e se reerguer apesar da dor, capaz de fazer o mais forte dos corpos se curvar ao chão e a mais forte das mentes se afundar em luto.

A tragédia que marcou profundamente a cidade (que, assim como Chapecó, respirava o seu time) foi retratada no filme We Are Marshall (Somos Marshall, 2006), que aborda ainda a difícil missão – e a necessidade – de retomar a vida e o esporte após o luto.

Veja o trailer do filme:

Missão essa na qual a própria Chapecoense continua, com os olhos em um topo não mais (apenas) de títulos e glórias, mas de legados e histórias que, sem a possibilidade de seguir em frente, jamais ficarão pra trás.

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