"Respeita as minas", mas se for rival, não

No último dia 27, na linha 3, vermelha do metrô, que dá acesso as estações Corinthians-Itaquera e Palmeiras-Barra Funda, uma torcedora palmeirense entrou em um vagão lotado de corintianos. Lá foi hostilizada, agredida verbalmente e fisicamente – levou um chute de um rapaz, segundo os vídeos que circulam pela internet – por ambos os sexos, inclusive por uma mulher. Contudo, teve que se retirar do metrô. Independente da camisa e do que esteja vestindo, ninguém merece passar por isso, ainda mais em um espaço público e de direito de transição de todos.

Recentemente o Corinthians realizou uma campanha muito legal e com um proposito incrível, com a tag #RespeitaAsMinas que foi bastante aderida pelos torcedores em diversas situações. Porém, quando alguém estiver vestindo a camisa de outro time o respeito se acaba, pode xingar e também empurrar? Isso só vale para quem veste a camisa alvinegra? E as outras mulheres, as que também torcem e sofrem com o preconceito? Não merecem respeito porque não fazem parte de sua torcida? Sei que felizmente nem todos agem dessa forma, a torcida do Corinthians é enorme e linda, mas atitudes como essas acabam manchando a torcida e dando um tom de hipocrisia para a campanha.

E sobre a torcedora corintiana que discutia e “intimava” a palmeirense a tirar os adereços alviverde que estava usando e a se retirar do vagão, enquanto os outros membros serviam de plateia e davam incentivo, só queria que ela repensasse que poderia ser ela ali. Repensasse na nossa luta, na luta de ser mulher e de ser apaixonada pelo futebol. A luta não é de quem veste preto e branco, vermelho e preto ou qualquer outra combinação de cor e bandeira. A luta é nossa. Só nos sabemos o que passamos. Se nem a gente se unir em prol de nós mesmas e de nosso espaço, nada nunca vai mudar. Pelo contrário.

Mulheres que presenciarem situações como essas, se oponham a defender e ter empatia por aquela que sofre, e passa o mesmo que você. Mostrem que estamos nos unindo, independente daquilo que nos difere. Não sejam hipócritas ao ponto de só defender o que lhe convém. Ei, vocês! Respeitem as mina, mas sem exceções.