Você é a favor da utilização do VAR?

Engana-se quem pensa que somente em 2018, depois de muita discussão, pôde ver a primeira imagem do árbitro de vídeo no Mundial da Rússia. A verdade é que na Copa do Mundo da Espanha, em 1982, França e Kuwait puderam observar uma imagem um tanto inusitada. Aos 35 minutos do segundo tempo, a Seleção Francesa anotava seu quarto gol quando os jogadores ouviram um apito vindo das arquibancadas. Não era a comemoração da torcida francesa, mas o sinal de que algo nas tribunas estava errado.

Os jogadores do Kuwait então pararam para saber se havia sido alguma chamada do juiz – o que ele pediu que a França continuasse – e depois de reclamações sobre a arbitragem, olharam para a tribuna vendo o sheik Fahid Al-Ahmad Al-Sabah fazer um sinal para que o kuaitianos se retirassem do gramado. Mesmo sem ser ouvido, o sheik decidiu invadir o campo do Nuevo José Zorilla e tirar seus jogadores mostrando que o gol marcado pela Seleção Francesa, na verdade, estava impedido.

Será que, se um torcedor alemão reclamasse tanto ao árbitro da partida, no jogo da final da Copa de 66 contra a Inglaterra, o qual a bola do jogador inglês Geoffrey Hurst bateu no travessão, parou na linha, mas não entrou, os ingleses teriam hoje seu único título em Copas?

Pensa-se, portanto, quantas vezes seu time já foi prejudicado pela arbitragem? Inúmeras, talvez. Não temos a capacidade de ter uma visão em 360º, mas ao nosso redor, o olhar clínico da decisão de um juiz pode mudar completamente o resultado de um jogo.

O que poderia mudar tudo isso? O futebol se modernizou, a ideia do “futebol arte” se recriou, mas nada fazia para que pudessem acabar ou minimizar os erros atribuídos aos árbitros. Então, ao longo de muitas conversas entre FIFA e os representantes das várias Confederações de Seleções Mundiais, eles sustentaram a ideia do VAR, sigla em inglês que significa Video Assistant Referee.

O que então seria o VAR? Aprovado em 2016 pela IFAB, órgão que determina as regras do jogo de futebol, o árbitro de vídeo começou a ser utilizado, ainda como teste, pela primeira vez pela USL, liga de futebol profissional americana. Na ocasião, o árbitro usou a assistência para consultar duas faltas e aplicar um cartão amarelo e vermelho a dois jogadores.

No entanto, há uma controvérsia sobre o surgimento e a aprovação dessa tecnologia entre os técnicos e jogadores. Em entrevista ao jornal As, da Espanha, o espanhol Francisco López afirma que foi plagiado e diz ser o criador da assistência. López afirma ter registrado a ideia da utilização de um árbitro de vídeo, em 1999, e apresentado a ideia a FIFA, UEFA e FEF (Federação Espanhola de Futebol).

Sobre as críticas abordadas entre os técnicos, jogadores, e até mesmo comentaristas do mundo do futebol, a nova assistência não foi tão bem aceita. Usada na final do Mundial de Clubes de 2016, no Japão, o francês Zinédine Zidane, técnico do finalista Real Madrid no período, achou o método confuso. Luka Modric, atual melhor do mundo pelo prêmio FIFA, disse não gostar do sistema.

Em Copas do Mundo, sua estreia foi em jogo da campeã francesa contra os australianos, onde o assistente mostrou e o juiz interpretou falta sofrida pelo atacante do Atlético de Madrid, Antonie Griezmann, fora da área.

Ponto positivo:

Na Copa do Mundo da Rússia, nenhum jogador foi expulso por agressão, houve somente uma expulsão, do jogador colombiano em jogo da sua seleção contra a Suíça.

Ponto negativo:

Ainda se busca entender e conhecer melhor sobre o assunto para aplica-lo, definitivamente, a todos os campeonatos. Por exemplo, a aplicação na fase final da Copa do Brasil deste ano.

É certo que com a utilização do VAR diminuiu o número de ações violentas. Para o presidente da FIFA, Gianni Infantino, não se pode mais “imaginar uma Copa do Mundo sem VAR” e que a tecnologia está deixando o futebol ser um esporte “mais honesto, transparente e justo”.