Operário Ferroviário, amor que passa de pai para filha

Quando estava pensando sobre a pauta do meu próximo texto, recebo, no último sábado à noite, uma mensagem emocionada do meu pai dizendo que o Operário Ferroviário havia sido campeão da série C. Matematicamente, ele já havia subido e eu já estava feliz, ainda assim, o título lavou a alma e coroou a campanha guerreira que o Fantasma fez na Série C.

Meu pai mora em Ponta Grossa-PR, torcedor alucinado, sempre me levava nos jogos. Como ele conhecia todos, desde diretoria até jogadores e comissão técnica, eu acabava entrando em campo quase sempre (risos), convivia com eles e foi nessa atmosfera que fui criada. E é graças ao Operário que estou aqui hoje escrevendo essa coluna. Foi ele que me ensinou o que é uma atmosfera em um estádio, uma bola rolando e trazendo emoções inexplicáveis. Como não amar o Fantasma? É um orgulho e uma emoção tão grande vê-lo atingir feitos históricos inigualáveis.

A reviravolta

A primeira marca do Operário foi no dia 3 de maio de 2015. O Couto Pereira contava com mais de 22 mil torcedores Coxa-Branca que apoiavam o alviverde em mais uma final do Campeonato Paranaense. Porém, quem brilhou mesmo foi o Fantasma de Ponta Grossa, que anulou completamente o time da capital em uma atuação impecável e um jogo que ficará marcado para sempre na memória do torcedor ponta-grossense e na história do Operário-PR.

Eu estava lá, apreensiva, afinal meus dois times mais amados estavam disputando a final de um paranaense. Eu pensava, esse é o meu Operário? Aquele que eu entrava em campo e que me ensinou tanto antes de chegar até aqui? Confesso que, neste dia, torci para ele. Mesmo do outro lado, eu vibrava e aplaudia a cada gol, a cada jogada. E vou falar mais, eu não era a única. Aqueles 22 mil torcedores que estavam do mesmo lado que eu na arquibancada também aplaudiram – de pé – o meu Fantasma, após o apito final. O Operário bateu o Coritiba por 0x3 e levou o Paranaense aquele ano. E pensar que era apenas o começo.

Entrando para a história

No ano de 2017, o Operário também fez uma competição regular e levou o Brasileiro da Série D. E agora, se consagrou Campeão da Série C. É um fato inédito, foi o primeiro clube a conquistar a Série D e C em sequência. O Operário-PR garantiu a volta à Série B do Campeonato Brasileiro após 28 anos. Sua última competição foi em 1990, quando terminou na quinta posição. O Fantasma jogou na elite do Brasileirão uma vez, em 1979. Naquele ano, o campeonato contava com 94 participantes, e o Operário-PR caiu na primeira fase.

Eu inclusive já citei em outro texto, que o Operário lembra a Chape, porém ele superou inclusive a própria Chapecoense. As expectativas em torno da torcida, dos jogadores, comissão técnica e diretoria são as maiores. Como eles mesmo dizem: “O céu é o limite”.

Tenho muito orgulho de dizer que sou Operário e que estou aqui na torcida para que mantenham essa ascensão e cheguem logo a Série A e nos representem tão bem como vem fazendo até agora. E foi assim, naturalmente, que o futebol passou de pai para filha. Não foi cromossomo, foi amor, e eu só tenho a agradecer ao meu pai por tudo isso.

Nota: A foto a seguir é do time de 1992, época em que eu entrava em campo quando frequentava o Estádio Germano Krüger.

Foto: Avante Fantasma