O hexa é real e tem nome: Marta!

Vocês se lembram da frase que tanto saiu da nossa boca há uns meses? “O hexa em 2018 já é realidade” e no final achamos que estávamos completamente errados? Pois venho dar uma notícia muito boa a vocês: ele é real mesmo! E sabe qual o nome certo? Marta! A jogadora conquistou sua sexta Bola de Ouro ontem (24), em Londres, ultrapassando até mesmo Messi e Cristiano Ronaldo, com cinco prêmios cada um, e não foi nada por acaso.

Ela está no topo desde 2006, ano em que venceu a categoria tão almejada pela primeira vez. A partir dali, pôde levar o troféu para casa por mais quatro anos seguidos: 2007, 2008, 2009 e 2010. Após oito anos, ainda foi capaz de retornar ao lugar mais alto que um jogador de futebol pode estar. Sensacional essa mulher! Quem você lembra que ficou há tanto tempo sendo tão brilhante dentro de campo?

Na temporada passada, Marta foi decisiva para o destino do Orlando Pride, que foi chegar aos play-offs da NWSL. Foi vice-artilheira com 13 gols e líder em assistências, sendo elas nove. Ainda ganhou como “a jogadora” do mês de junho a setembro e figurou na seleção da Concacaf de setembro. Em abril, foi destaque da Seleção Brasileira que garantiu a Copa América, conquistando a classificação à Copa do Mundo da França e aos Jogos Olímpicos de Tóquio, daqui dois anos. E sim, fez tudo isso já com cinco troféus de melhor jogadora do mundo e aos 32 anos, sem perder a motivação de quando, ainda jovem, deixou Alagoas para correr atrás do seu sonho – e realizá-lo.

Sua conquista dessa edição da cerimônia da FIFA foi surpresa para a maioria das pessoas que acompanhou. Isso porque suas adversárias também foram incríveis em suas atuações. Ada Hegerberg, jogadora do Lyon, balançou as redes 31 vezes na Liga Francesa em apenas 20 jogos e bateu recorde na Champions com 15 gols, conquistando a competição. Dzsenifer Marozsán, também atuando pelo Lyon, igualmente foi uma das líderes da equipe e, como capitã da Seleção Alemã, ajudou o time a realizar cinco vitórias em seis jogos nas eliminatórias da Copa do Mundo.

E qual foi o diferencial que fez Marta vencer mais uma vez o prêmio Bola de Ouro? A brasileira não teve participação em um time com estrelas. Conquistou pois usou apenas de sua capacidade, sua liderança, sua categoria e, principalmente, sua experiência para poder deixar as marcas das suas chuteiras por onde passava, conseguindo, ainda, ajudar suas colegas de trabalho rumo à tão sonhada taça.

Marta é um marco no futebol brasileiro. A menina que deu início a seu sonho dentro das quatro linhas de Alagoas, ainda pequena, hoje é um patrimônio da categoria feminina em cada canto do mundo. Quando a jogadora começou sua trajetória, mulher e futebol eram palavras que não se misturavam, ainda mais em um país que tinha como proibida a modalidade na década de 70. Mas Marta era capaz de enxergar que sua vontade era muito maior do que as barreiras. E assim foi, tornou-se a garota que driblava meninos sem medo e os deixava com vergonha de perder um lance para uma “menininha”. E incomodou? Não! Ela seguiu sempre muito forte.

Ainda bem novinha, aos 14 anos, enfrentou a vida e foi jogar pelo Vasco, deixando sua mãe em sua terra natal. O futebol de Marta era algo que encantava qualquer um que assistia. Em três anos, teve sua primeira convocação para a Seleção Brasileira, que disputaria o Mundial. Foi da Copa à Suécia, dando play na caminhada das taças de melhor do mundo. Passou ainda por Estados Unidos, Santos e retornou à Suécia. Sempre encantando todos os amantes desse esporte por todo lugar em que passava.

Fora de campo, Marta também fez golaço: prometeu à sua mãe, muito guerreira por sinal, que lhe daria uma casa. E assim fez. Mas não parou por aí. A melhor do mundo ainda nos deu um exemplo gigante de persistência e de busca por um ideal. Ao Brasil, presenteou com nada mais do que seis troféus Bola de Ouro, duas medalhas de prata em Olimpíadas, o posto de embaixadora da ONU Mulheres e ainda se tornou a maior artilheira da amarelinha.

Marta é sinônimo de Brasil, e ainda assim não é apenas brasileira. Marta é mundial. É mais uma inspiração para que clubes e torcedores vejam o futebol feminino como possível, como um investimento e não gasto. Veja a categoria como uma conquista e não perda de tempo. Sem preconceito, principalmente! Reflitam: foi uma brasileira que levou o nome do país ao alto. É extremamente possível que, tendo mudança de pensamento, Marta não seja um caso isolado de mulheres com sucesso no futebol, mas sim um novo começo entre outros tantos que ela mesma já pôde abrir oportunidades. Que saibamos valorizar a sua história e a modalidade feminina do jeito que eles merecem.