Um ano após retorno à Série B, Fortaleza vive expectativa de novo acesso

Por: Maggie Paiva

O dia 23 de setembro de 2017 está muito bem guardado na memória – e no coração – dos torcedores do Fortaleza. Porque quando o Juiz Marcelo de Lima Henrique apitou o final da partida entre o Tricolor e o Tupi-MG, válida pelas quartas de final da Série C daquele ano, chegava ao fim um dos maiores dramas da história do Time do Pici.

Depois de amargar oito temporadas no limbo da Terceira Divisão, o Fortaleza Esporte Clube – que teve sua queda decretada no final de 2009 – alcançava um tão sonhado acesso à Série B do Campeonato Brasileiro.

Após frustrantes “quases”, bolas na trave do acesso, era quase inacreditável para uma torcida leal e cheia de esperança que o time enfim tinha aberta diante de si as portas de uma subida que, por quase uma década, esteve tão perto e ao mesmo tempo tão longe.

De lá para cá, o planeta Terra deu uma volta inteira ao redor do Sol e o Tricolor é praticamente outro time, em um momento completamente diferente, vivendo um drama de uma expectativa mais gostosa de sentir: A possibilidade de transformar o retorno à Segunda Divisão em apenas mais um degrau rumo à Série A.

Foto: João Bandeira Junior/Diário do Nordeste

Relembrar é reviver

O jogo em Juiz de Fora foi tenso. Em mais uma tentativa de acesso, o Fortaleza tinha tanto a ganhar quanto a perder. Era difícil não se deixar atingir pelo nervosismo e pela ansiedade, acumulados durante os últimos oito anos. Já o Tupi, precisando vencer depois do revés por 2 a 0 na capital cearense, estava pronto para estragar a festa e tinha a seu favor o fator casa naquele jogo de volta.

O Tricolor Cearense jogou com o regulamento debaixo do braço, sem muito controle do jogo, se defendendo na tentativa de sair de campo pelo menos com um empate sem gols. Motivado foi o time mineiro que se mostrou mais ofensivo, pressionando a meta adversária, tanto que chegaram a ter dois gols anulados por impedimento – um em cada etapa.

Apesar das tentativas, bolas na trave e chances de gol, o primeiro tento daquela noite de sábado no Mário Helênio só veio aos 36 minutos do segundo tempo. A partida terminaria com a vitória magra do Tupi, mas apesar da derrota, o Fortaleza enfim pode comemorar o sonhado acesso e, ainda que o título não tenha vindo, a torcida tinha mais do que suficientes motivos para comemorar.

Além do fim do sofrimento de quase uma década, o time encerrou uma outra sina, que já durava três anos seguintes: A de ser eliminado em casa, diante dos torcedores, em um palco sempre lotado. Fora de casa, o Fortaleza deu adeus às frustrações passadas e se libertou para soltar o grito preso na garganta.

De lá pra cá

Entre a noite da conquista do acesso e o atual momento vivido pelo Tricolor de Aço, não foi só o tempo que passou: Do time que entrou em campo na partida contra o alvinegro mineiro, permanecem no Fortaleza apenas Marcelo Boeck, Felipe, Ligger, Bruno Melo e Pablo.

O técnico Antônio Carlos Zago que, à altura do confronto contra o Tupi, só havia estado no comando da equipe cearense por 5 jogos, retornou ao comando do Juventude e, no Pici, foi substituído pelo técnico Rogério Ceni, que assumiu o FEC poucas semanas depois da conquista do acesso.

Há 10 rodadas do fim da Série B, o Fortaleza segue líder há 26, em uma campanha que não tem deixado a desejar e os jogadores que ficaram, unidos àqueles que chegaram depois, não se mostram abalados pelos oito anos jogados em uma divisão inferior.

Apesar de ter balançado em uma sequência de empates e derrotas, a equipe de Ceni segue com 4 pontos de vantagem na liderança e, cada vez mais, sonha com o projeto que, por muito tempo parecia ousado demais: Um retorno à elite do futebol nacional.

Foto: Divulgação/Fortaleza

Rumo à Série A

O Fortaleza vive um merecido e novo capítulo de sua história, que passa por cada pedaço do que o time tem se transformado em, depois de passar tanto tempo virando as páginas sem realmente sair do lugar.

Da necessidade de voltar pelo menos à Série B à real possibilidade de, em apenas uma tentativa, chegar ao topo das divisões, a equipe virou exemplo de uma reestruturação bem-sucedida.

Se o acesso se concretizar, o que pode acontecer em poucos meses, e o título vier, o time ainda tem uma cereja para acrescentar ao bolo da comemoração: 2018 é o ano de seu centenário.

Com 50 pontos conquistados e 30 ainda para disputar, o FEC pode se basear nos resultados da edição anterior da Série B: O campeão de 2017, América-MG fechou o campeonato com 71 pontos, enquanto o último colocado entre os times que garantiram o acesso à Série A, Paraná, terminou com 64.

De aço

Cedo para celebrar, tarde demais para não criar expectativas: A virada de mesa de uma das mais tradicionais equipes do Ceará tem tudo para terminar da melhor maneira possível, em um período de tempo relativamente curto para a quantidade de emoções que abarcou.

Chega a ser inevitável não sentir uma bela ordem volta se estabelecer no futebol cearense quando, em 2019, os dois maiores do estado poderão estar juntos na Série A do Brasileirão.

365 dias depois de uma conquista desejada, demorada e suada, o Leão pode estar bem perto de ter novos motivos para comemorar. Mas se o momento e o contexto são completamente diferentes de outrora, o rugido continua sendo o mesmo.

Foto: Divulgação/Fortaleza