Futebol Feminino: reflexo de uma cultura

Por: Vittoria Catarina

As barreiras que o futebol feminino enfrenta vão desde o preconceito escondido – ou nem tão oculto assim – até a desigualdade nos investimentos realizados para o desenvolvimento da modalidade para mulheres. Ainda que alguns países invistam, como é o caso dos Estados Unidos, os gigantes do futebol – por exemplo, o Brasil – não parecem tão preocupados assim. A passos lentos, clubes de grande visibilidade – como Paris Saint-Germain, Barcelona e Manchester United – criam as equipes femininas.

Como conhecimentos apresentados no livro “a verdadeira regra do impedimento”, escrito por Karine Nascimento, que estuda as dificuldades enfrentadas no futebol feminino cearense, temos a consciência de que a modalidade feminina começou tão cedo quanto a masculina. Contudo, nem sempre teve a mesma valorização, seja financeira ou midiática. Um exemplo claro disso foi a lei instituída pelo Conselho Nacional de Desportos do Brasil, que proibiu a prática do futebol feminino entre 1941 e 1979. Mesmo após a revogação, a regularização só foi efetivada em 1983.

O motivo principal para a criação desta lei foi o preconceito descarado das mídias e dos homens, que acreditavam que as mulheres estavam gastando o tempo que deveria ser utilizado para lavarem a louça, arrumarem a casa… Então, chegamos ao ponto principal, quando essa cultura foi criada? Conforme apresentado no seminário de Famílias e Intimidades, na disciplina de Sociologia, no UniBrasil, o sociólogo Talcott Parsons diz que as famílias são fábricas que produzem personalidades humanas.

Pensando ainda neste conceito, cria-se a ideia de família nuclear, que deve ser constituída com uma esposa, um marido e filhos, onde o trabalho é dividido por gênero – construções sociais, ainda que sem razão para essa desigualdade. Então, sociólogas passaram a defender o feminismo e o processo no qual ele se encaixa, onde essas mulheres brigam pelo seu direito de escolha, que incluem as suas profissões.

Ainda que muitas pessoas não vejam dessa forma, muitas garotas levam o futebol como uma profissão. Sim, igual aos meninos. Então, a luta pela igualdade é o caso do futebol feminino, que ainda que cheio de machismo e desigualdade financeira, vencem essas barreiras para viverem aquilo da forma como querem – e podem, aliás, a nossa Constituição defende a igualdade de gêneros, não é mesmo?

Foto: Lucas Figueiredo/CBF