A política que tenta apequenar o Gigante da Colina

Por: Luisa Lopes

Novamente, o Vasco luta contra o rebaixamento. Em nove anos, três foram disputando a Série B do Campeonato Brasileiro (2009, 2014 e 2016), que pode, mais uma vez, se tornar o destino do clube ao final da temporada 2018.

Os problemas do Cruzmaltino não se restringem ao time que entra em campo. Entender a crise política, com intermináveis disputas internas de poder, alianças e oposições, é imprescindível para compreender o déficit financeiro instaurado, e, por consequência, o cenário constrangedor de sobe e desce na competição.

Os principais atores da política vascaína nesses anos foram Eurico Miranda e Roberto Dinamite. Entre conquistas e crises protagonizadas por eles, a torcida do Gigante da Colina aguardava ansiosamente a eleição presidencial de 2017. Esperavam o fim da era dos políticos conservadores para iniciar a renovação do clube com caras novas em seu comando.

No entanto, a eleição não foi como se esperava: Julio Brant saiu como vencedor pelos votos dos sócios (após anulação da urna 7). Só que depois de mais uma artimanha da politicagem vascaína, Alexandre Campello, até então aliado de Brandt para desbancar Eurico, rompeu com a chapa. Ele se uniu ao, até então, presidente e, com seu apoio, conseguiu a maioria dos votos para ser eleito pelo Conselho Deliberativo. Após a confusão, o que parecia ter acabado no dia 19 de janeiro com a surpreendente vitória Campello, continua se desdobrando até os dias de hoje por ações judiciais.

Ontem (20), a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre as eleições do Vasco, realizadas no dia 7 de novembro de 2017. Constataram-se irregularidades não apenas na urna 7, retirada da contagem por decisão judicial, mas também na captação de sócios.

Além dos sócios fantasmas, que contavam com pessoas inexistentes ou já mortas, o inquérito cita diversos casos de funcionários chantageados para votar. Os mesmos eram incluídos irregularmente no sistema de votação com informações falsas. A data de admissão era editada para ser anterior à verdadeira, o que tornava o novo sócio apto a votar, em especial na chapa denominada “Reconstruindo o Vasco”, liderada pelo então presidente Eurico Miranda.

Julio Brandt e seu advogado vão levar o caso ao Ministério Público e pedir anulação das eleições. Enquanto isso, quem sofre é a Instituição Vasco da Gama e seus torcedores.

Foto: Márcio Alves

Ex- presidente Eurico Miranda e o atual Alexandre Campello.