A falta de apoio é a nossa maior deficiência

O futebol sempre foi caracterizado por um ambiente masculino devido ao âmbito cultural do país que associou a modalidade como violenta e de atrito, estabelecendo limites por lei sobre a prática de mulheres no esporte. Em 1979, com a lei deixando de existir, as mulheres passaram a ser vistas não só como telespectadoras, mas também como atletas.

Ainda nos dias atuais, é perceptível que o futebol feminino possui pouco espaço dentro da mídia, dado principalmente pela discriminação com as mulheres que praticam esta modalidade, sendo utilizado na comunicação apenas para suprir a falta do futebol masculino nas grades de programação, salvo a eventos esportivos como as Olimpíadas.

Se pararmos para pensar, pouco se fala sobre Cristiane, Formiga, Marta ou qualquer outra jogadora de futebol, e engana-se quem pensa que só existem elas que jogam futebol no Brasil. Modalidades do futsal possuem um conhecimento ainda menor e quando abrange também pessoas com deficiência, esse número cai ainda mais.

Com a falta de incentivo e apoio para as mulheres que praticam esta modalidade, a dificuldade fica cada vez mais evidente e o sonho de ser uma jogadora acaba muitas vezes não acontecendo. Na Seleção Brasileira Feminina de Futsal de Surdos, por exemplo, as atletas buscam um apoio coletivo entre as jogadoras, familiares e amigos através de rifas para custear a participação em competições como a que acontecerá em Winterthur, na Suíça, no próximo ano.

A CBDS (Confederação Brasileira de Desportos de Surdos) participa desde 2011 no Mundial de Futsal para Surdos, na Seleção Feminina, elas acumulam títulos como:

  • Junho de 2012: Ouro nos Jogos Pan-Americanos de Surdos

  • Outubro de 2013: Ouro no Campeonato Sul-Americano de Futsal Feminino de Surdos

  • Novembro de 2014: Ouro nos Jogos Desportivos Sul-Americanos de Surdos

  • Novembro de 2015: Prata na Copa do Mundo de Futsal de Surdos

  • Julho de 2017: Bronze nos Jogos Surdolímpicos

Mesmo com diversas conquistas ao longo dos anos, pouco se conhece sobre a Seleção Feminina de Futsal para Surdos, muito menos sobre jogadoras como Carolina Matos (ala/fixa) e Suzana Souza (ala) que relatam sobre a dificuldade de encontrar apoio financeiro para comprar uniformes e pagar a taxa de inscrição, uma vez que a CBDS não faz parte da equipe olímpica ou paraolímpica e não podem contar com a ajuda do governo.

Ainda que a lei tenha deixado de existir em 1979, podemos enxergar ainda nos dias atuais o limite dado por meio de patrocínio para o futebol feminino e nada foi feito até hoje para mudar esta situação, seja no Futebol de Campo ou de Futsal, para atletas com deficiência ou não.

Se você quer conhecer mais sobre a arrecadação das jogadoras da CBDS, acompanhe através das redes sociais da Confederação. A rifa custa R$ 5,00 e oferece uma camisa da Seleção Brasileira autografada pela jogadora Formiga, uma TV 32′ e R$ 800,00. Cada atleta precisa arrecadar cerca de R$ 12 mil para despesas, alimentação, taxa de inscrição e confecção do uniforme.

A sua pequena ajuda pode trazer mais um Ouro para a nossa seleção e, se caso você não possa ajudar financeiramente, divulgue para seus amigos e vamos juntos criar uma rede de apoio para nossas atletas.

Fonte: Divulgação/CBDS