Uni duni tê, o escolhido foi você

Por: Luisa Lopes

Depois de duras críticas por todos que pisavam sobre seu gramado, o Maracanã foi interditado quinta-feira (13), depois do jogo entre Flamengo e Corinthians, para que sejam feitos reparos no campo. Quem sai prejudicado nessa situação é o Fluminense, pois terá que realocar suas três partidas como mandante. Diferente do time das Laranjeiras, o Flamengo poderá disputar seu único jogo dentro de casa, contra o Atlético Mineiro, dia 23/09, no próprio Maracanã. Isso só acontecerá porque os ingressos da partida foram vendidos antecipadamente, e assim, uma exceção foi aberta.

Desde sua reforma para a Copa do Mundo de 2014, o histórico estádio, palco de grandes decisões, sofre com sua administração. Quando pronto, ficou sobre responsabilidade do Consórcio Maracanã – formado pelas empresas Odebrecht (com 95% das ações) e AEG (5%) – através de uma licitação pública válida por 35 anos. No entanto, devido a déficits operacionais, já no ano seguinte cogitaram devolver o estádio ao governo do Rio. Em 2016, ao fim dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, a crise aumentou e o consórcio se recusou a receber a posse de volta por alegar que o Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Brasileiro (COB) não devolveram o equipamento nas mesmas condições em que foi cedido. Mas, por ordem judicial, a responsabilidade retornou às empresas privadas.

Diante do impasse, em 2017, o estádio sofreu com o abandono e a quantidade de partidas cada vez menor devido aos altos custos para sua utilização. Como alternativa, o Flamengo reformou o estádio da Portuguesa do Rio de Janeiro, transformando-a na Ilha do Urubu, e o Botafogo contou com a volta do Estádio Nilton Santos. Mas, principalmente pelo lado rubro-negro, a escolha não foi muito bem sucedida. De qualquer modo, o torcedor sentiu falta do histórico Maraca, com seus 68 anos, que já recebeu 199.854 pessoas. Que presenciou, no ano de 1950, o Uruguai ser campeão do mundo em cima da Seleção Brasileira e eternizou o milésimo gol de Pelé.

Agora, no dia 11 de setembro de 2018, mais um capítulo foi escrito na história ainda não resolvida sobre a administração do Maracanã: a justiça do Rio acolheu Ação Civil do Ministério Público e mandou cancelar a concessão. A decisão é do juiz Marcello Alvarenga Leite, da 9ª Vara de Fazenda Pública da Capital, quem ressaltou que o processo licitatório apresentava ilegalidades, já que o grupo vencedor, que incluía a empresa IMX, do empresário Eike Batista, possuía informações privilegiadas sobre a concessão.

Não significa que o Maracanã voltará de imediato ao controle governamental, pois ainda cabe recursos para ambas as partes, a partir do momento em que forem notificadas. No entanto, se houver reconhecimento de ilegalidade, uma incógnita se instaurará no futuro desse “empurra-empurra”, que é a administração do estádio. Até a municipalização já foi cogitada.

Foto: Divulgação/IG