Fim do rodízio de capitães na Seleção é mais uma mudança de Tite para novo ciclo

Durante essas duas semanas, algumas notícias chamaram atenção. Dentre elas, a reunião da Seleção Brasileira após a Copa do Mundo. É claro que dois jogos não eliminam a imagem do torcedor com a derrota no Mundial, mas é uma maneira de cada brasileiro assistir às mudanças para a Copa América no ano que vem.

Quando Tite assumiu o comando da amarelinha em julho de 2016, havia um time mudo, não em capacidade de falar, mas sim em palavras. Há alguns dias antes do anúncio do novo técnico, os brasileiros presenciavam uma Seleção perdendo uma classificação e sendo eliminada precocemente, com um gol de mão, diante da Seleção Peruana na edição especial de 100 anos do torneio e da Conmebol.

Da Copa América Centenário para as Olimpíadas Rio 2016 faltavam alguns meses, e a temporada europeia estava terminando. Isso fez com que o então técnico, Dunga, mudasse a lista de convocados para a competição em junho, deixando ela em aberto e chamando nomes que estariam, mais tarde, sendo campeões olímpicos.

Nessa competição, comandada pelo técnico Rogério Micale, o camisa 10 foi escolhido como capitão do time. Perguntado o porquê de o escolher para liderar o time em campo, o técnico expressou a qualidade técnica do atacante e o entrosamento com a equipe, principalmente com os mais jovens, além da admiração para muitos que estavam servindo a Seleção pela primeira vez.

Com Tite, a história mudou de figura. Neymar teve apenas uma oportunidade de ser capitão, em um jogo contra o Paraguai, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo. De lá para cá, o atual técnico obteve 16 capitães diferentes, com Miranda e Thiago Silva assumindo mais vezes.

Ao falar sobre um capitão em uma equipe, automaticamente se pensa em liderança. Não é somente uma liderança em campo, vai muito além. Alguns acreditam que o camisa 10 necessariamente precisa ser capitão, o que não é sempre válido, visto que os dois últimos capitães, antes da era Dunga e Tite, foram Cafu e Thiago Silva, respectivamente. Uma curiosidade é que Pelé só foi capitão uma vez, já aposentado, em um jogo amistoso em 1990.

Na tarde do dia 6, véspera do jogo do Brasil contra os Estados Unidos, Tite falava sobre algumas mudanças, e afirmou que o rodízio entre os capitães havia acabado. Na apresentação antes do jogo, geralmente fala o técnico e o capitão, e ali se encontrava o camisa 10 do Paris Saint-Germain e da Seleção Brasileira.

Muito criticado durante a Copa por não ter um capitão certo, Tite afirmou que a escolha por Neymar foi vista pelo amadurecimento do jogador diante de algumas situações vividas na Seleção e que o fizeram crescer e amadurecer, como as críticas durante o Mundial e outras na sua carreira.

Como capitão, o atacante disputou 16 partidas com o técnico Dunga, uma com Tite – antes da Copa do Mundo –, e agora foi definido como capitão número 1. Neymar inicia o novo ciclo atingindo a marca de um jogo a mais do que Pelé pela amarelinha, com o jogo contra El Salvador são 92, além de estar como quarto maior artilheiro da Seleção.

Foto: Infoglobo