Richarlison: quero ver geral fazendo a dança do pombo

Muitos discutiam sobre como seria a seleção que Tite montaria para a Copa América no ano que vem, no Brasil, e principalmente, a posição de um novo camisa 9 ou até mesmo as outras mudanças que o técnico faria. Pois bem, logo após a vitória por 2 a 0 contra a equipe dos Estados Unidos, em Nova Jersey, Tite conversou com os repórteres e afirmou que faria algumas mudanças no time que enfrentaria a seleção do El Salvador.

É certo que a seleção da América Central não consegue ser padrão para os jogos que a seleção canarinho vai enfrentar daqui alguns meses, e, principalmente, ao se preparar para a próxima Copa, mas Tite cumpriu o que disse: ele fez as mudanças.

Em jogo de noventa minutos, podemos observar duas seleções antagônicas: o Brasil de um lado, com o peso do nome, o El Salvador com jogadores poucos conhecidos. O que facilitou? Onde conseguimos chegar a cinco gols? Não foi culpa somente do adversário, até porque o futebol é uma caixinha de surpresas. A prova disso é que, na tarde desta terça-feira, a Espanha venceu a atual vice-campeã do Mundial por seis gols a zero. O Brasil simplesmente jogou seu futebol, sem que fosse altamente com brilho, em meio a um time com pouca tradição.

Tite iniciou com seis mudanças, incluindo a do goleiro. A troca de Alisson por Neto, a saída de Thiago Silva para dar lugar ao zagueiro Dedé, Éder Militão e Alex Sandro completaram o setor defensivo. Ainda contando com Casemiro e Coutinho, o técnico gaúcho contou Arthur no meio de campo. Na frente, manteve Neymar e Douglas Costa, desta vez acompanhados por Richarlison como o centroavante, este não havia participado ainda como titular.

A Seleção Brasileira começou a mostrar as rédeas do jogo logo aos dois minutos, quando o centroavante sofreu uma entrada do zagueiro salvadorenho na área, o juiz marcou o pênalti. Apesar de duvidoso, com discussões sobre a normalidade do lance, já que Domínguez tocou na bola antes de dar a entrada, Neymar do Brasil cobrou e abriu o placar. O Camisa 10 alcançou seu 59º gol pela Seleção Brasileira, faltando sete gols para igualar Zico com 66 gols.

Mas a noite revelaria não só a marca do atacante do PSG, como também, o “cheiro de gol” definido por Tite, pelo atacante Richarlison. O camisa 9 mostrou o motivo de ter sido convocado, ampliando o placar aos quinze minutos e brilhando mais uma vez na noite, o pênalti convertido por Neymar foi sofrido por ele. Philippe Coutinho aumentou o placar ainda no primeiro tempo, aos 30’ com um chute colocado.

Tite, então, optou por fazer algumas mudanças no segundo tempo. Tirou Casemiro, colocando Fred em seu lugar. Dedé, em boa fase no Cruzeiro, saiu para a entrada de Felipe. Quando parecia que o El Salvador tentaria qualquer reação que fosse no jogo, o menino Richarlison apareceu novamente. Aproveitou uma bola que sobrou na área e, como um bom centroavante, não pensou duas vezes antes de marcar o seu segundo na partida.

Reflexo da gigante partida apresentada pelo atacante, Tite o tirou para a entrada de Lucas Paquetá, demonstrando o quão aprovado foi. Philippe Coutinho, já previamente avisado por Tite que sairia durante o jogo para testes com outros jogadores, saiu para a entrada de Everton. E Douglas Costa cedeu o lugar para o seu antecessor dentro da Copa, Willian.

Como o esperado, a partida esfriou com as substituições, mas ainda sobrou tempo para que fosse concluído o quinto gol do Brasil. Antes disso, Arthur saiu para a entrada de Andreas Pereira, o barcelonista foi preciso nos passes e se destacou por esse motivo. Foi já aos 44’ quando Neymar cobrou o escanteio, que Marquinhos subiu e deixou a sua marca. Além da mudança tática no time, observou-se uma mudança de comportamento do atual capitão, Neymar.

Percebe-se uma mudança grande do atacante de antes e depois da Copa, que correspondeu ao pedido de seus fãs que imploravam para uma resposta em campo. Do outro lado, vem surpreendendo até os críticos. Vale ressaltar que o nosso Camisa 10 já disputou seis partidas depois do fim do ciclo, quatro pelo PSG e dois pela Seleção Brasileira, em todos deixou um gol.

Agora, o Brasil volta a campo somente em outubro, onde serão disputados outros dois amistosos, ambos na Arábia Saudita. Além dos anfitriões, a amarelinha enfrentará o seu principal rival, a Argentina. E, ainda que alguns jogadores tenham a oportunidade de mostrar mais do seu bom futebol no próximo amistoso, Tite deixou claro: “Contra a Argentina, é força máxima”.

Foto: Pedro Martins/MoWA Press