Clássico paraense e a possibilidade de disputa o ano todo

Estar em Belém é muito além do que sentir o cheiro da chuva ou tomar um tacacá ao fim da tarde. A capital paraense reserva, dentre a culinária mundialmente conhecida, a paixão da população por futebol e pelos seus respectivos clubes. Um domingo de RexPa, não é domingo comum. Desde a sexta anterior ao jogo já se enxergam bandeiras sendo vendidas nas ruas, comentários nos jornais dos treinos dos dois clubes, e o que falar das zoações entre as torcidas?

No domingo, a manhã torna-se uma preparação para chegar o horário e encontrar um Mangueirão lotado de azulinos em seu lado A e bicolores em seu lado B. Gritos são ecoados, mãos erguidas e a emoção de mais um clássico cria a adrenalina dos jogadores para esse jogo. Além disso, como esquecer quando em uma mesma família existem os dois lados? A rivalidade é grande nesse dia.

Alguns jogadores costumam dizer que o calor da torcida conta como incentivo. Não é à toa que o clássico é, desde 2016, patrimônio cultural e imaterial do Estado. Considerado o maior clássico da Amazônia, o Clube do Remo enfrenta o Paysandu desde junho de 1914. Ao todo, são mais de 700 jogos, reunindo tabus e conquistas entre ambos os lados. Para o lado da torcida bicolor, não se é esquecido o jogo de 7×0 que o Paysandu ganhou do Clube do Remo. Já para o lado azulino – até como em nome de organizada – é lembrado o tabu de 33 jogos sem perder para o rival.

Mas, o que vemos hoje, é uma realidade completamente diferente. Times centenários, brigas por acessos e diferenças históricas. A diferença de nove anos entre os clubes, faz com que um pouco da história azulina seja favorita ao seu lado, o que não deixa, é claro, que o Paysandu cresça após um tempo. É como a vida entre irmãos, um é nove anos mais velho com suas experiências e o outro, vivendo outro tipo de prática.

O ano de 2018 iniciou-se bem para ambos, apesar dos tropeços. O time azulino ganhou as quatro disputas contra o rival e faturou o campeonato paraense. Já o Paysandu, ganhou a Copa Verde diante da sua torcida e demonstrou, com a euforia de campeão, ter superado as quatro perdas no clássico.

Contudo, quando começa o Campeonato Brasileiro, eles enfrentam a rivalidade de disputar séries diferentes. Ao Leão Azul, após processos de idas e vindas, firma-se na série C para mais um ano. Do lado do Lobo Bicolor, há uma possibilidade de cair para a mesma série do rival. Desde 2006, o último ano que ambos se enfrentaram em um Campeonato Brasileiro, só há encontro entre Clube do Remo e Paysandu nas competições regionais, e algumas vezes, na Copa Verde.

Atual 18º colocado na tabela da série B, em 25 rodadas, o Paysandu reúne seis vitórias, 11 derrotas e oito empates. São números que impressionam para quem começou nas primeiras colocações do campeonato. Assim, na terceira divisão, o Paysandu encontraria uma possibilidade, por sorteio de grupos (mesmo que remota por um grupo conter dez times e em outro nove), de enfrentar o maior rival. Como fica a cabeça do torcedor sabendo dessa possibilidade?

Fonte: Divulgação/Portal do Parazão