Ela já conquistou o mundo, mas isso ainda é só o começo

A jogadora Marta foi anunciada pela FIFA na última segunda-feira (3) como uma das três finalistas e tentará conquistar pela sexta vez o prêmio de Melhor Jogadora do Mundo. Ela concorrerá com a norueguesa Ada Hegerberg, que venceu a Ligue 1 Feminina com 31 gols e 20 assistências, além de ter vencido da UEFA Women’s Champions League finalizando na artilharia com 15 gols. E também com a alemã Dzsenifer Marozsan, que também venceu a UEFA Women’s Champions League com o Lyon e foi capitã da Seleção Alemã nas cinco das seis vitórias no torneio classificatório para a Copa do Mundo Feminina, que acontecerá na França, em 2019.

Marta está presente na lista da FIFA desde 2003, sendo vencedora entre 2006 e 2010, ficando em segundo lugar em 2005, 2011, 2012, 2014 e 2016. Neste ano, ela chega a marca de 14 indicações, ficando fora da lista em 2015 e 2017. Atualmente, com 32 anos, a brasileira atua pelo Orlando Pride, dos Estados Unidos. Durante o período para análise de performance da lista de indicados da FIFA (07 de agosto de 2017 a 24 de maio de 2018), Marta marcou 13 gols e deu seis assistências pelo seu clube. Na Seleção Brasileira, ela foi capitã na conquista da Copa América de 2017.

A entrega da jogadora em campo é nítida, mostrando ser incansável e apresentando um ótimo desempenho, principalmente, no Torneio das Nações, mesmo diante da má campanha da Seleção Brasileira. Marta também sofreu com as lesões que não permitiram a convocação para o amistoso contra o Canadá, o que poderia acrescentar também na escolha para ser considerada a melhor do mundo.

A camisa 10 da seleção feminina foi recentemente consagrada como a maior artilheira da história da Seleção Brasileira, superando Pelé, que tem 95 gols, mas infelizmente, apesar da sua importância, a sua relação com o futebol não é tão conhecida como a de muitos jogadores da modalidade masculina.

Nascida em Dois Riachos, no interior do Alagoas, Marta foi criada pela mãe e pelos irmãos. Aos cinco anos, conseguiu economizar com a venda de sorvetes e comprou seu primeiro acessório para jogar. Atuou como goleira de handebol, mas foi com a bola nos pés que ela chamou do professor de educação física e passou a disputar torneios locais, sendo a única menina da competição.

Posteriormente, em 1999, ela começou a jogar pelo Centro Sportivo Alagoano (CSA), sendo contratada no ano seguinte pelo Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, onde atuou entre 2000 e 2002. Com a falta de apoio ao futebol feminino na época, o time carioca anunciou que fecharia as portas, foi então que ela se mudou para Minas, passando a atuar pelo Santa Cruz.

Aos 17 anos, ela herdou a camisa 10 da ex-craque de seleção, Sissi, atuando pela Copa do Mundo em 2003. Na ocasião, o Brasil foi eliminado pela Suécia, mas devido ao bom desempenho da brasileira, Marta recebeu o convite dos diretores do time sueco Umea Ik para jogar na Europa. Desde então, a rainha do futebol se desenvolveu e brilhou, encantando todos e chamando atenção para o futebol feminino. A brasileira também conseguiu manter seu auge por um longo período, inspirando diversas meninas e mulheres, sendo anunciada há pouco tempo como Embaixadora pela ONU Mulheres, buscando a igualdade de gênero e empoderamento.

Marta acumula em sua história a conquista de sete Ligas Suecas, uma Liga dos Campeões Feminino e três títulos da Copa América Feminino. O prêmio da melhor do mundo será anunciado no dia 24 de setembro, em Londres, mas independente da colocação, a rainha do futebol já é orgulho para nós.

Foto: Philipp Schmidli/Getty Images