Jornalista Esportivo: esconder ou não o time do coração?

Que perguntinha difícil, hein? Que dura escolha. Mas será que ela é mesmo necessária? E por que ela existe? Por que existem pessoas que acham que os jornalistas são robôs programados para serem apenas profissionais? Pessoas que esquecem que, antes de tudo, ali dentro tinha um menino ou uma menina que era apaixonado(a) pelo time do coração? Que ia para estádios, que vibrava, torcia, se emocionava e vivia como real amante de uma relação linda, que é a do torcedor e o seu time do coração.

Quantas perguntas, mas todas com soluções tão simples. A questão é simples. Nada mais que uma aceitação. Aceitar o diferente, o oposto. Aceitar que, por trás de cada cabine dentro do estádio, e por trás da voz que sai daquela rádio que você escuta em dia de jogo, sempre existiu alguém como você. Que vivia no aguardo de um domingo a tarde para ligar a TV e acompanhar mais uma partida de futebol. Que quando via o time disputar uma final, também sentia o coração pulsar mais forte. E a única coisa que te diferencia do jornalista, é que o amor dele pelo futebol derivou a profissão. Segue sendo tão apaixonado quanto você!

A verdade é que os jornalistas acabam tendo que virar pessoas frias por conta de gente que não sabe separar o profissional do pessoal. Jornalistas engravatados e cheios de palavras difíceis para explicar e falar sobre algo que é simples, algo que é “resenha”. Ter que deixar de ser quem você é para evitar criticas é doloroso demais. Passar a esconder algo que sempre foi presente na sua vida, se mascarar sobre o que pensa e sente por medo de expressar algo que vá ser distorcido e entendido de outra forma.

Dói não poder falar o que sente, e nem comemorar quando se dá vontade, ou esbravejar quando necessário. Defendo os jornalistas que têm a coragem de ser quem são, e ainda assim são excelentes profissionais e sabem separar as coisas. Não julgo quem não faz o mesmo. Exercer a profissão de ser jornalista esportivo requer muita maturidade e coragem. Só peço para que não percam a sua essência de menino e menina, apaixonados por futebol e pelo esporte como um todo.

Foto: Divulgação/Vida Universitária