De ruim a rei: o retorno de ‘Kingnaldo’ ao São Paulo

Por: Maggie Paiva

É domingo de Brasileirão e o São Paulo enfrenta o Fluminense, em casa, pela 22ª Rodada desta edição. O objetivo é claro: Defender a liderança, posição que segue ameaçada, jogo a jogo, pelo Internacional e pelo Flamengo.

Campeão do Primeiro Turno, o time do Morumbi viveu, principalmente no pós-copa, uma ascensão que pode ser considerada inesperada. Especialmente para um time que, acreditava-se, deveria brigar pela permanência a Série A do campeonato nacional.

A subida do Tricolor rumo a um título que não comemora há 10 anos, se confunde com a evolução de outro personagem dessa competição: Reinaldo, ou Kingnaldo, como o alagoano de 28 anos passou a ser conhecido.

Ruim-naldo

Quando o camisa 14 marcou o terceiro gol na vitória por 3×1 contra o Corinthians diante de um Morumbi lotado, no final de julho, foi como se uma venda invisível fosse retirada de milhares de pares de olhos.

A imprensa e a torcida voltaram a prestar atenção no lateral que, vindo de bons jogos pela equipe, naquela ocasião jogava mais adiantado, como um meia improvisado, suprindo a ausência de Everton, suspenso.

É preciso passar o olho pela história do jogador na capital paulista: Em sua primeira passagem pelo São Paulo, entre 2013 a 2015, Reinaldo não caiu nas graças da torcida do Morumbi e a relação foi, principalmente, conturbada, marcada por vaias vindo das arquibancadas.

A escalação do lateral virou motivo de desconfiança, as atuações eram, em geral, esquecíveis e o apelido que o jogador “ganhou” em sua passagem pelo Sport ganhou utilidade nas mãos da atual torcida: Ruim-Naldo.

Kingnaldo

Em baixa no São Paulo, o lateral-esquerdo foi praticamente enxotado do Morumbi e acabou emprestado para a Ponte Preta em 2016, onde as coisas começaram a mudar para sua carreira. Na partida contra o próprio Tricolor Paulista, válida pelo Campeonato Paulista, Reinaldo fez o gol da vitória da Macaca e, naquele ano, sagrou-se como um dos destaques da Ponte no Campeonato Brasileiro.

No ano seguinte, a passagem do jogador foi pela Chapecoense, novamente emprestado depois de renovar com o time do Morumbi. Na primeira partida da Chape em uma Libertadores, no tento contra o Zulia, fora de casa, Reinaldo foi autor de um dos gols.

Com o time catarinense, Reinaldo colheu os frutos de boas atuações e, por que não, de uma madura mudança de postura: Sagrou-se campeão estadual, foi eleito o melhor lateral esquerdo do campeonato catarinense e balançou a rede 9 vezes. A troca de apelido não demorou: De Ruim-Naldo, o lateral virou Kingnaldo. Era a hora de voltar para o Morumbi, agora em uma situação bem diferente.

Rei da Lateral

De volta ao São Paulo, mais maduro e experiente, Reinaldo vive um bom momento que se confunde com o próprio bom momento do time, na liderança do campeonato há 5 rodadas. Para se ter uma ideia, no triênio 2013-15, Reinaldo fez 106 jogos (entre oficiais e amistosos) com a camisa do Tricolor, tendo balançado as redes em três ocasiões, mesma quantidade de gols marcados após o retorno, apesar de ter disputado apenas cerca de um terço dos jogos da primeira passagem: 33.

A velocidade do jogador também não vem passando despercebida, tornando-se, na verdade, uma peça fundamental nos contra-ataques que vão se tornando característicos do São Paulo. Na vitória contra o Timão, inclusive, um dos dois gols marcados por Reinaldo veio de um contra-ataque fulminante pela lateral.

Longe do Morumbi, Reinaldo acumulou bagagem, ganhou confiança, evoluiu como um jogador ofensivo e, no momento certo, voltou para ajudar a família do Morumbi no que pode ser uma arrancada rumo ao título que tem causado saudade.

Titular praticamente absoluto no time pós-copa de Aguirre, o lateral-esquerdo finalmente caiu nas graças de quem faltava e vive, de acordo com a própria concepção, o melhor momento de sua carreira.

Agora, ele recebe o justo carinho de uma torcida que anteriormente tanto o criticou. No lugar da desconfiança, a sua escalação é uma certeza bem-vinda. E ao invés de vaias, a torcida arranha a garganta gritando o nome de seu rei da lateral.

Aliás, gritando o apelido, mais uma vez pego “emprestado” da torcida do time anterior. Talvez nem todos saibam, ou lembrem, quem é Reinaldo no São Paulo. Agora quem não sabe quem é Kingnaldo, provavelmente não está vendo os últimos jogos.

Fonte: Marcello Zambrana/AGIF