Campeonato Paranaense de futebol feminino: a desigualdade em evidência

Por: Vittoria Catarina

Para quem não tem tanto conhecimento sobre o assunto, além das competições nacionais, os times de futebol feminino também possuem as competições estaduais. Estas começaram em agosto ou devem começar em setembro, como é o caso do Campeonato Paranaense de Futebol Feminino. Ainda que aqui estejamos discutindo a situação desse estado, não é um problema pontual, mas sim nacional. Animada com a possibilidade de acompanhar os jogos, gratuitos por sinal, me surpreendi ao notar que só possuem quatro times na disputa pelo título, algo inacreditável para um estado que possui três divisões da mesma competição no masculino.

Os valentes clubes, que incentivam o cenário esportivo feminino, são: ADI Foz Cataratas FC, GRECAL, Imperial FC e Toledo EC. Esses se enfrentam em turno e returno, onde o clube que mais somar pontos se torna o campeão da edição. Vale ressaltar que o único que possui algum título dentro da competição é o Foz Cataratas, que é o maior campeão com seis títulos consecutivos ( 2010-2017, as edições de 2015 e 2016 não existiram). Esse é o cenário que se estabelece desde 1998, quando a competição foi criada, pouco investimento e, consequentemente, poucos competidores e pouca disputa. A primeira rodada acontecerá no dia 2 de setembro, às 15h30, nos estádios Pedro Basso, em Foz do Iguaçu (ADI Foz Cataratas FC x Toledo EC), e Octávio Silvio Nicco (Imperial FC x GRECAL), em Curitiba.

Ainda que existam três clubes da capital de alta expressão no futebol nacional, apenas um deles se compromete em apoiar a causa. O Coritiba fechou uma parceria com o Foz Cataratas em 2017 e vem sendo feliz com o desempenho das meninas, inclusive no cenário nacional. Enquanto Atlético-PR e Paraná Clube, ainda que vivendo momentos complicados no Brasileirão, não se preocupam em mudar o retrocesso do futebol feminino no Paraná. Nesta edição, os representantes da capital são o GRECAL e o Imperial FC. Vale lembrar que apesar do Coritiba ter fechado a parceria com o time de futebol feminino, os jogos continuam sendo ditados em Foz do Iguaçu.

Além da parcela de culpa dos clubes, outra que não se preocupa com o desenvolvimento do futebol feminino, mas sim com o resultado momentâneo, é a CBF com a desorganização no calendário dos clubes, algo que também vem acontecendo no futebol masculino. O Rio de Janeiro inclusive não tem certeza se a competição estadual acontecerá, já que o time do Flamengo está enfraquecido diante dos jogos da Seleção Brasileira. O desenvolvimento do futebol feminino só vai acontecer, de forma efetiva, quando os clubes abraçarem a causa e a CBF se preocupar em não atrapalhar os resultados que vem sendo apresentados dentro deles. Enquanto isso, mais uma vez as mulheres são jogadas para o escanteio. Repito, mais uma vez.

Foto: Divulgação/Foz Cataratas/Coritiba