Descanse em paz, Libertadores

O que falar da Copa Libertadores? A meu ver, o campeonato mais emocionante que os times sul-americanos têm oportunidade de disputar. Há inclusive comparação com a famosa Champions League, já que é outra grande competição com uma emoção sem tamanho, mas existe uma notável diferença entre elas. O campeonato europeu é para aqueles torcedores que gostam de assistir ao futebol bonito, cheio de passes e jogadas que resultam em golaços, num gramado que mais parece um tapete, fazendo a partida virar um espetáculo. Já o latino é para os que curtem o futebol raiz. Jogo pegado, rivalidade a mil, dribles, provocações e o que mais tiver direito.

Para mim, futebol é isso! A sensação de assistir a um jogo do nosso time do coração pela Libertadores é algo surreal, o clima é outro e creio eu que a maioria aqui concorda. E a coisa mais linda que tinha nesse campeonato era a sua final, com os dois times tendo a chance de realizar uma partida em sua casa, com sua torcida a favor para dar aquele gás a mais rumo à tão sonhada taça, fazendo a festa que o esporte pede, principalmente em uma Libertadores da América. Isso mesmo, tinha!

Recebemos a notícia, ainda no ano passado, de que a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), responsável por essa competição, tinha decidido que a sua final, a partir de 2019, seria disputada em jogo único e fora da casa de qualquer um dos finalistas. Lembram de algo? Isso mesmo, voltamos à Champions League! Não sei vocês, mas em mim ainda tinha uma pontinha de esperança de que essa novidade fosse falsa ou de que a Conmebol voltasse atrás em sua decisão.

Infelizmente, foi anunciado na terça-feira passada (14) que a final da Copa Libertadores 2019 será realizada em uma única partida no Estádio Nacional, na cidade de Santiago, capital do Chile. É, a invenção da Confederação era mesmo verdade. Ainda não entendi o porquê dessa decisão. Descaracterizará a disputa, tirando o seu momento mais especial que é o das torcidas em seus estádios fazendo festa ao seu time que chegou a uma final depois de, com certeza, ter passado por muitos desafios, além de inviabilizar demais a presença de uma massa na última partida, pois dificulta a locomoção tanto pela distância quanto pelo dinheiro, já que a viagem sairá bem mais cara.

É triste saber que uma competição do jeito que a gente gosta também está começando a ser destruída pelos seus líderes, assim como quase tudo no futebol. Queremos de volta o futebol raiz, cheio de rivalidade e disputa com jogadores dando sangue à camisa, querendo estar ali, jogando com raça e com vontade. Não ao futebol moderno. R.I.P. Libertadores!

Foto: Ricardo Matsukawa