O futebol não pode ser feito só de retranca

Tem sido cada vez mais comum jogos de futebol em que as equipes entram em campo e ficam na retranca. Ficam quatro ou cinco na linha de defesa, só esperando falhas do adversário para sair atacando no momento certo ou em contra-ataques com velocidade.

As seleções da Rússia, Japão, México e Austrália são alguns dos exemplos que surpreenderam na Copa do Mundo de 2018 com esse esquema fechado e apostando na marcação também. Nós, brasileiros, logo de cara, tivemos que enfrentar a Suíça com sua linha de cinco nos inícios dos jogos. Mais exemplos? Copa Sul-Americana. Creio que os torcedores do Fluminense são conscientes da situação que o time se encontra e de como tiveram dificuldades para passar pelo clube uruguaio Defensor.

Expus dois campeonatos diferentes para apresentar meu ponto de vista. Primeiramente, o mundial com os melhores jogadores de cada país lutando para defender sua equipe. Em nenhum momento o futebol deixou de ser jogado. Afinal, o maior título do esporte na Terra estava sendo disputado. Os jogadores defendiam e saiam para atacar de tal forma que assustaram equipes tradicionais e campeões do mundo equilibrando o nível dos jogos. As falhas técnicas e emoção definiram a competição. França e Croácia na final em Lujnikn, na Rússia, é um exemplo ótimo para a questão.

Já na competição Sul-Americana, observamos um jogo feio por parte da equipe uruguaia que enfrentou o Tricolor carioca. Eles não saiam da retranca, ficavam atrás fazendo cena os 90 minutos inteiros, enquanto os jogadores do técnico Marcelo Oliveira atacavam insistentemente. Só não golearam a equipe por desmérito próprio nas duas partidas. Apesar das falhas, o clube das Laranjeiras superaram esse muro do Defensor com belo gol olímpico de Sornoza e outros dois de Digão e Pedro.

Não sou contra aos esquemas de quatro ou cinco na linha. Inclusive, quando uma equipe está mal e tomando muitos gols, evidentemente o primeiro setor que torço para ser organizado é a defesa, a exemplo de Zé Ricardo quando entrou no Vasco e ajustou o time. O que quero dizer é que futebol é um esporte quente e feito de gols.

Do que adianta fechar a casa e não buscar o sustento que garante a vitória do jogo e permanência em uma competição? Não buscar o gol esperando o adversário dar de chuteiras beijadas. O torcedor vai ao estádio ou liga a televisão para ver um espetáculo de dribles e a rede balançando, não para ver frieza e jogo parado. Não gostaria mais de assistir partidas assim. O futebol não pode ser feito só de retranca! É feio e um desrespeito com o que deveria ser o maior espetáculo da Terra.

Foto: Mauro Pimentel/AFP