Inversão de valores

Por: Vittoria Catarina

O futebol moderno trouxe diversas mudanças para o meio futebolístico, umas boas e outras nem tão boas assim. Entre elas, a saída precipitada de jogadores para o mercado do exterior, já que nem sempre é necessário fazer história com a camisa do seu clube para fazer sucesso lá fora. Isso é resultado da injeção de olheiros europeus, e agora também do mercado asiático, espalhados pelo mundo inteiro. Eles nem esperam a promessa se concretizar, apenas buscam potenciais talentos.

Antigamente, o jogador sonhava em vestir a camisa da seleção do seu país, porque essa era sinônimo de sucesso e de uma das maiores honras que um atleta poderia ter. Para que lá fora fosse notado, era preciso brilhar com a amarelinha, talvez reflexo da mídia nem tão avançada assim. Hoje em dia, grande parte dos jogadores que vestem a camisa do Brasil, por exemplo, são jogadores dos clubes europeus. Às vezes nos deixam com a impressão de que não é mais o jogador que precisa da seleção, mas que a seleção precisa dele.

Uma realidade que mistura egos, paixões e até mesmo o nível da vontade de estar em campo. Não que vestir a camisa da seleção que mais foi campeã da Copa do Mundo não seja motivo de orgulho, mas talvez não entre na lista de prioridade de todos. Muitos se preocupam mais com o restante da temporada do que se entregar inteiramente para aquele momento. Os jogos das suas seleções? Devem ser mais um no calendário a ser cumprido. Quer firmar ainda mais esse pensamento? Quantos jogadores se aposentam da seleção antes do que pelos seus clubes? Acho que ficou mais clara a lista de prioridades.

Foto: Divulgação/Libero