Precisamos falar do Brasileirão Feminino

Muita gente não sabe, e nem nunca tiveram a curiosidade de saber, como funciona o Campeonato Brasileiro Feminino. Vocês sabiam que a entrada para a maioria dos jogos são francas? Sabiam que o clima é muito mais familiar e agradável? Onde dá para se ter um contato mais próximo com as jogadoras? E sabiam também que as arquibancadas na maioria das vezes estão vazias? E eu me coloco no lugar daquelas atletas que estão ali vivendo um sonho, trabalhando e que, na maioria das vezes, não possuem um retorno do expectador e de uma torcida para elas. E quando se tem, na maioria das vezes, é em forma de preconceito e machismo.

Fora todo o lance dos patrocínios, que querendo ou não também é mais um meio de fazê-las desanimarem, já que infelizmente tem que se lutar muito para conseguir algum. O qual seria um dos meios de trazer mais visibilidade e dar apoio, que na maioria das vezes por não conhecerem e nem terem este olhar, as pessoas não se permitem ajudar e nem a investir.

O gol continua quadrado. A bola continua redonda. É tudo igual, gente. Por que fazer tanta diferença? Só porque são mulheres? Se permitam conhecer, ir assistir e ver com outros olhos. Olhos de telespectadores que querem dar apoio e incentivo! Afinal, não é isso que fazemos sempre que estamos assistindo à um jogo de futebol? Elas são seres humanos que apesar de saberem – ou talvez só fingirem, por que dói, viu? – lidar com o preconceito e com a “diferença” que ainda insistem em fazer, lá no fundo ainda se pegam sentindo essa falta.

O que eu queria de verdade, era ver um estádio de futebol lotado, com torcida organizada, com festa e gritos de guerra, em uma tarde ou noite de Brasileirão Feminino. Nós precisamos falar sobre, nós precisamos conhecer, nós precisamos entender que é futebol, que o esporte é grande e cabe todo mundo lá dentro.

Foto: Evelson de Freitas/Allsports