Globo Esporte 40 anos: mais do que tradição, inspiração

Por: Vittoria Catarina

O Globo Esporte (GE) completou nesta terça-feira (14) quarenta anos de programa, uma história que teve início logo após um fim. Antigamente, a Globo exibia o programa “Copa Brasil”, que se preocupava com a cobertura do Campeonato Brasileiro da época, e foi o primeiro noticiário esportivo diário da emissora. Com o seu fim, a emissora abriu o espaço para o GE que se preocupava agora não somente com a cobertura do futebol, mas sim com todas as modalidades esportivas. Boni, o então Diretor Geral da Rede Globo, decidiu colocar “Globo Esporte” até que encontrassem um nome diferente. Não precisou, o programa se consolidou e até hoje é referência dentro do jornalismo esportivo.

Um dos grandes nomes da área, Léo Batista, foi homenageado e homenageou o programa na edição especial de 40 anos. Ele, que hoje já tem 86 anos de idade, apresentou o “Copa Brasil” e, com o fim já aqui citado, foi também o primeiro apresentador do GE, assim como mais tarde do Esporte Espetacular. “Porque esporte é vida, esporte é alegria. Muito boa tarde!”, brincou o jornalista ao relembrar. Batista também apresentou algumas edições do Jornal Nacional, assim como os gols da rodada do Fantástico – o qual, em 2007, foi assumido por Tadeu Schimidt. Além disso, participou de diversas coberturas da Copa do Mundo, a primeira em 1950.

Tudo bem, talvez nem todos se recordem desse apresentador, mas aposto que você conhece outras figurinhas carimbadas que tiveram a honra de vestir essa camisa. Alguns deles são: Tino Marcos, Mauro Naves, Marcos Uchoa, Glenda Kozlowski, Tiago Leifert, Alex Escobar e Fernanda Gentil. Acredito que esse seja o sonho de consumo de qualquer jornalista voltado para a área do esporte, além do mais, é um programa que se renova sempre, tentando uma proximidade com o seu público. Iniciou como um programa informativo, revolucionou na década de 1980 com jornalistas que buscavam entrevistas e o lado pessoal da história dos atletas, mostrando suas limitações, obstáculos e desafios.

No final da década de 1990, mais um passo importante: a busca por uma identificação com o seu público e também com aqueles que não são tão chegados ao esporte. O esporte e o horário do programa – que acontece durante o almoço, de segunda a sábado – permite que as pessoas vejam a programação sem necessariamente pensar naquilo como esporte, mas também como um programa de entretenimento. “A janela do jornalismo continua ali, mas no esporte as pessoas têm hoje essa percepção de que o entretenimento também é uma maneira muito correta de se trabalhar o noticiário esportivo”, explica Tino Marcos.

O Globo Esporte cresceu e durante a sua trajetória passou a ter uma versão local por todo o país, a exceção é do estado do Espírito Santo que assiste a versão nacional. Além disso, em 2001 ocorreu o lançamento da página do GE na internet, onde as pessoas conseguem acompanhar as notícias em tempo real. Então, ainda que seja assustador pensar em como esse programa se renova a cada década, é preciso entender que é um dos grandes responsáveis pelo processo de humanização dentro do esporte. Espelho para quem vem chegando, chão para aqueles que já foram consolidados. O Globo Esporte é feito para o povo e, por esse motivo, está diariamente na boca dele.

Foto: Divulgação/TV Globo