Obrigada por me apresentar ao futebol

Por: Paloma Stuchi

A tarefa mais difícil é escolher para qual time torcer, mas por incrível que pareça sempre – ou quase – optamos pelo time do nosso pai. Talvez por ele ser um grande fanático ou até mesmo esquecido. Ou viver dizendo “nunca vou obrigar meu filho a torcer para o meu time”, mas na saída da maternidade a criança já volta pra casa com o uniforme.

Muitos pais sonham em ter um filho homem para levar ao estádio ou ensinar a jogar bola. Mas imagina aquele homem que, como os nossos pais, tem uma princesa, ou melhor, uma Rainha dentro de casa. Uma mulher que sabe muito bem o que é um impedimento, que vai para o estádio com ele. Grita, chora, mas nunca abandona o time que ele escolheu.

Falo isso porque sinto na pele todo esse orgulho vindo do meu pai, desde pequena estou dentro do estádio. Minha mãe odeia futebol e até convenceu meu pai a voltar para nossa cidade natal com esperança que ele parasse de me levar para o estádio, mas de nada adiantou, na verdade só piorou, porque com a distância nossa única saída foi às caravanas das organizadas.

O medo dela não diminuiu, mas a minha paixão pelo meu time só aumentou, e meu pai hoje bate orgulhoso no peito e fala “essa é minha garota”. Tudo que ele queria ver nos meus irmãos no final viu em mim, e vivo eternamente na musica do Chorão que diz “o Santos vem de pai pra filho”. Não só o Santos, mas todo o time vem de pai para filho e seremos eternamente gratas por ter conhecido o nosso amor pelas mãos de um ainda muito maior. Nós, Rainhas do Drible, agradecemos e desejamos a todos um Feliz Dia dos Pais.

Foto: Gribaudi/ImagePhoto