Mesmo em um mundo digital, o Brasil ainda parece analógico para o futebol feminino

Nós tentamos! Nós, do Rainhas do Drible, ainda estamos tentando falar da Copa do Mundo Sub-20 Feminina. Só que além de não ter os jogos transmitidos na televisão, seja aberta ou fechada, não há quase divulgação nos grandes portais de esporte, inclusive os de televisão. Sim, sabemos que as partidas da Seleção Brasileira estão sendo transmitidas. Ok! E o resto? É uma Copa do Mundo, oras!

São 16 países disputando uma COPA! Queremos saber dos adversários, dos grupos, classificações, quem é a artilheira, quem é a melhor jogadora. Queremos saber como está o desenvolvimento dos outros países na modalidade, é importante saber, comparar. Comparar sim, porque infelizmente parece que no Brasil só o que é bom lá fora é replicado aqui. E querem saber? O futebol feminino está dando muito certo lá fora.

Os números de público em estádios da Europa, Estados Unidos e México são de impressionar. Na final de campeonatos como a Champions League Feminina, em um estádio com capacidade para 16 mil pessoas, estiverem presentes mais de 14 mil. Na final do campeonato mexicano, foram mais de 50 mil torcedores. E assim é pela Espanha, Inglaterra, Estados Unidos… Números que crescem ano após ano, em público, desenvolvimento, formação, publicidade. E nós temos os exemplos de grandes públicos dentro de casa com o Iranduba, Santos.

Falar que é cultural? Ok, até concordo. Só que quando vamos mudar? Quando vamos buscar saber mais, conhecer mais do futebol feminino, como é o seu desenvolvimento lá fora, a formação de base, a estrutura? Claro que nem tudo lá fora é lindo, há diferenças em questões de viagens, torneios, igualdade de oportunidades e nem vou mencionar os salários, mas pelo menos lá fora a repercussão do futebol feminino é muito mais positiva, para frente, inovadora.

Há também a quebra cultural lá e não foi do dia pra noite, mas eles começaram, juntaram forças, apoiaram e seguem assim. As federações, associações, competições, mídia, estão fazendo sua parte. E isso traz visibilidade, traz patrocínio, traz estrutura, pois é um ciclo vicioso: se não é transmitido, não se tem visibilidade. Se não tem visibilidade, não tem patrocínio. Se não tem patrocínio, não tem estrutura. Se não tem estrutura, não tem apoio, fomento.

E se transformamos isso em um ciclo virtuoso? A mídia dá mais apoio e visibilidade, o que gera mais audiência, o que gera mais patrocínio, gera estrutura e muda a cultura! O mais fácil, no momento, é mudar através das mídias, não acham? Mas claro, não vou jogar a culpa só para cima deles, afinal é o todo que precisa ser trabalhado. Palmas aquelas emissoras que estão transmitindo pelo menos os jogos da nossa seleção. Já é um avanço, com certeza!

Entretanto, há que se fazer mais! Há que se unir mais! Se pelo futebol masculino dá-se um jeito, pelo feminino temos que criá-lo. Empoderamento, fomento, visibilidade! É disso que precisamos, se não, ficaremos para trás. Já estamos ficando! E em tempos de um mundo digital, tecnológico, não há mais espaço para desculpas analógicas…

Foto: Fernanda Coimbra/CBF