Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Não é mesmo, Corinthians?

Esta foi uma semana em que, infelizmente, diversos casos de feminicídio e agressões contra mulheres vieram à tona. Logo as redes sociais e telejornais foram tomados por campanhas motivacionais contra esse crime brutal, não foi diferente com o tão conhecido Corinthians. No dia da comemoração pelos 12 anos da Lei Maria da Penha, o perfil do clube postou, em suas redes sociais, uma foto para celebrar a conquista dessa data e para prestar apoio aos casos ocorridos na mesma semana, como o da advogada Tatiane Spitzner, que foi agredida pelo marido e caiu do quarto andar de um prédio.

A legenda da foto dizia: “Já são 12 anos da conquista da Lei Maria da Penha. Apesar disso, a realidade ainda é de muita violência (física e psicológica) contra as mulheres brasileiras. O Timão apoia a luta pela igualdade, respeito e pela vida…”. No Twitter do clube também houveram postagens relacionadas ao assunto, todas elas enfatizando o não apoio às agressões e a importância da denúncia. Bela iniciativa, não? Sim, na teoria ficou realmente muito bom, porém na prática foi um tanto contraditório.

Horas após fazer todo esse apelo midiático, o Corinthians anunciou a contração de um jogador chamado Juninho para ser um reforço do time sub-20. O que não ficou bem entendido é que este atleta é acusado de agredir e ameaçar uma ex-namorada. Ele foi detido em outubro de 2017, acusado de tê-la trancado em um apartamento, no qual a teria espancado e ameaçado com uma faca. Segundo o testemunho da vítima, o jogador teria dito a ela que ou ficava com ele ou morria. Ele foi indiciado em novembro e responde o processo em liberdade.

Como já era de se esperar, a torcida se manifestou sobre de forma insatisfeita, alegando que não fazia sentido algum se opor contra o erro e juntar-se a ele logo depois. O clube deu resposta depois dos inúmeros comentários negativos em suas redes alegando que o contrato do jogador obtinha regras a serem cumpridas justamente para tentar melhorar o comportamento do mesmo, mas ainda assim não foi bem aceito pelos torcedores, que subiram a hashtag #JuninhoNoCorinthiansNão.

A pergunta que fica é clara: seria um marketing apoiar a causa das mulheres? Se sim, devo dizer, se autopromover em cima de algo tão sério é um tanto desumano. Foi gol contra! Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço, não é mesmo?

Foto: Fernando Ferreira/Gazeta Esportiva