Unidos pelo amor e pela dor

Por: Ana Luisa Oliveira

O mês de agosto, em 2018, já começou cheio de emoções. O time da Chapecoense viajou até Turim, na Itália, para um amistoso muito especial. Em 2016, o clube brasileiro se viu diante de um momento muito difícil de lidar. O avião, que transportava os jogadores, a equipe técnica e jornalistas, para a Colômbia, aonde o pequeno gigante disputaria a primeira partida da final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, colidiu pouco antes de chegar ao aeroporto Rionegro. Apenas três dos jogadores a bordo sobreviveram, além do jornalista Rafael Renzel, da comissária Ximena Suarez e do técnico de voo Erwin Tumiri. Ao todo, 71 pessoas vieram a óbito com o acidente que tocou não só os brasileiros, mas pessoas do mundo inteiro.

O que muitos talvez não soubessem, é que o time do Torino teve que passar pela mesma reconstrução, pois viveu um momento similar, no auge de sua história. Em 4 de maio de 1949, a aeronave transportando o clube italiano – tetracampeão consecutivo, caminhando para a quinta vitória, e cujos jogadores faziam parte da azzura – colidiu com o muro da Basílica de Superga durante uma manobra de aproximação à pista de aterrissagem, matando todos a bordo de forma instantânea. Foi algo duro para o futebol italiano, e também mundial, que viu uma das maiores seleções da atualidade se desfazer.

Por mais que nem só de amor vive o futebol, podemos transformar a dor em recomeço. Foi assim com o Torino em 49 e com a Chapecoense em 2016. Ambos ainda carregam as cicatrizes do ocorrido, mas nos dão aula de superação e luta. O amistoso realizado no dia 01 de agosto serviu justamente para isso. A SportPesa Cup, uma partida para manter viva a memória dos que se foram, foi realizada no Estádio Olímpico de Turim, e, após uma homenagem aos jogadores da Chapecoense, Jackson Follmann deu o pontapé inicial de um jogo em que o Torino ganhou por 2 a 0, mas que ambos saíram vitoriosos, por todas as batalhas em que não desistiram.