Tino Marcos, o exemplo do jornalismo esportivo ético

Por: Vittoria Catarina

É natural um profissional buscar alguém do ramo em que possa se inspirar, receber o incentivo e tomar como fonte de aprendizado. Assim como é natural que um jornalista se identifique com outros, que busque através das histórias contadas por esses, tomar aquilo como aprendizado e torcer para ser um pouco do que o exemplo em questão é. É por esse motivo que hoje o assunto não poderia ser outro, sem sombra de dúvidas, Tino Marcos. Um jornalista admirável pela sua história de paixão e dedicação com a sua profissão, mais do que isso, consegue o que todos buscam, mas nem todos conseguem: Contar através das suas reportagens as histórias de outras pessoas e conseguir colocar de uma forma, não exagerada e nem despercebida, a sua digital.

Não à toa, consagrado com mais de 30 anos de Rede Globo. Não à toa, sempre que chega em algum programa de televisão, é admirado pelos seus colegas e exaltado em frente as câmeras. É impossível não conter o gosto em falar sobre jornalismo, principalmente quando esse tem o seu legado tão bem representado por um profissional. É ter a consciência de que, no caso do jornalismo esportivo, os feitos históricos não são feitos apenas por atletas, mas sim por seres humanos. Que construíram a sua trajetória para estar no auge da carreira, mas que também podem ter os seus deslizes durante ela, pois estão sujeitos a erros. É ter a consciência de que um atleta pode não viver o melhor momento da sua carreira, mas tem total capacidade para se superar mais uma vez. É não massacrar, é incentivar.

Talvez você não conheça muito sobre a história de Tino Marcos, mas você sabia que ele foi o primeiro repórter de campo em uma Copa do Mundo? Sim, ainda que não autorizado pela Fifa. Foi na edição de 1994, na Copa dos Estados Unidos, onde o jornalista entrou como auxiliar de campo. Com um microfone sem fio desmontado e escondido entre as roupas, Tino passou pela organização do evento. Quando o Brasil se consagrou campeão mundial, o jornalista se vestiu de coragem e pulou as placas de publicidade. Ele contou emocionado: “Entrevistei os jogadores ao vivo! Fui identificado, e dois seguranças me pegaram e me levantaram. Estava no céu!” Para Tino Marcos, “o esporte tem o papel de transformar, ensina a cair e levantar. E alegra as pessoas. O drama é intrínseco ao esporte: são sempre duas forças que se opõem, apenas uma delas vai vencer, e você não sabe qual”.

Eu acredito que é esse tipo de jornalismo que deixa as pessoas e os críticos sem palavras, porque não há nada mais importante do que o lado humano. O jornalista tem que sempre se colocar no papel de que ele é uma pessoa, que trabalha em um conteúdo sobre pessoas e que vai ser destinado para outras pessoas receberem. Vai além de trazer informação, o jornalismo tem o dever e o poder de tocar aqueles que o recebem. Tino Marcos, você é o profissional que me inspiro, que me delicio ao ouvir uma entrevista ou participação em algum programa, que olho e digo “homem sábio”, que comento o quanto gostaria de me tornar 1/3 do profissional que você é, que faz a nossa profissão ter sentido. É o jornalista em que eu investiria o meu dinheiro, seja em um livro ou palestra, só para ter um pouco do conhecimento que você tem. É um cara que já fez história, não somente na vida dos telespectadores, mas daqueles que tiveram a honra de serem entrevistados por Tino Marcos.

Fonte: João Miguel Júnior/Rede Globo/Divulgação