Me permitam falar sobre Rogério Ceni

Por: Julhia Marqueti

De início, pensei em escrever um texto sobre a atual fase do profissional Rogério Ceni. Ou seja, iria falar apenas dele como técnico e deixar de lado a história como jogador. Apesar de achar que temos um Rogério Ceni goleiro e outro como treinador, percebi que a história deste ídolo é incapaz de se dividir, porque a base permanece a mesma. Quando digo base, peço para entender como liderança, vontade de vencer e foco, adjetivos que se ligam ao Rogério fácil.

Foi goleiro por mais de 25 anos pelo São Paulo FC, decidiu não defender apenas seu gol como conquistar os outros. Foram mais de 100 gols, mais de 1.000 jogos. Eram suas palavras e orientações antes, durante e após o jogo que incentivaram os jogadores em diversas conquistas. Ergueu taças, assim como falhou, claro que com uma diferença enorme de números.

Rogério Ceni foi conquistador e decidiu continuar sendo. Fechou a caixa de histórias como jogador e abriu como treinador. Talvez tenha realmente decidido começar com um plano alto demais, já treinando o eterno amor da sua vida: o Tricolor do Morumbi. O que não deu certo… Infelizmente. Rogério não teve experiência o suficiente, deixou o tricolor Paulista como nunca havia imaginado: Foi demitido.

Acredito que aceitou o convite para ser treinador pelo imenso amor que sente e saiu de lá amando muito mais, porém chateado por não conseguir atingir seus objetivos. Todos sabem que ele sente quando não dá conta do que deve ser feito. Porém, quando muitos acreditavam que Rogério Ceni não tentaria mais nada como técnico, o mesmo não teve vergonha de assumir um time menor e de jogar a Série B pela primeira vez.

Aos 45 anos, o ex-goleiro São Paulino encarava mais um desafio na sua nova carreira, este que está acontecendo até hoje. Rogério assumiu o comando do Fortaleza com um único objetivo: conseguir o acesso a Série A do Brasileirão. O atual momento do clube não é dos melhores, assumimos. Mas o novo treinador chegou, fez o melhor início da série B na era de pontos corridos e não sabe o que é a vice-liderança faz tempo.

Aquele que nunca foi de agradar a maioria, conseguiu fazer um trabalho que fez os olhos dos torcedores do Fortaleza, e todos aqueles que te seguem, brilharem. Rogério, que sempre foi colocado como arrogante para muitos, não teve vergonha de diminuir o nível e assumir que foi rápido demais. Na verdade, ele sempre soube assumir seus erros e buscar a melhora no dia seguinte.

Rogério Ceni é líder, apaixonado pelo que faz e focado. Talvez essa mistura não agrade a todos, mas se continuar escrevendo sua trajetória como sempre fez, vai continuar agradando diversos corações e não só dos são paulinos. Ser gigante as vezes é admitir que é pequeno para certa tarefa e voltar atrás enquanto ainda há tempo. E foi o que ele fez e hoje, sabe que seu trabalho é admirado por muitos.

Sabe também que a vitória volta em dias – voltou hoje, ao bater o Juventude por 3 a 0 – e que o bom trabalho continuará sendo seu objetivo. A caixa de histórias continua aberta e o M1to promete continuar escrevendo cada linha para surpreender aqueles que duvidam e encher de orgulho aqueles que sempre acreditaram nele.

Crédito: AI Fortaleza EC