Elaine Trevisan, a narradora que solta na voz toda a sua paixão

Fonte: Divulgação/Instagram

Por: Vittoria Catarina

Elaine Trevisan, 30 anos, é uma jornalista que mora em São Paulo – Capital. Participou do programa ‘A Narradora Lays’ do Esporte Interativo e saiu como vice-campeã, onde foi revelada como um dos grandes talentos da competição. Ainda que reconheça as barreiras que vem sendo quebradas dentro do cenário esportivo, Elaine tem a consciência de que é só o começo. É um processo em que outras gerações de mulheres já tentaram fazer algo a respeito, mas não conseguiram definitivamente quebra-la, já que essa insiste em se manter forte: A barreira do machismo.

Quando a questionei sobre a coragem para a inscrição, Elaine disse que já narrava, mas procurava uma oportunidade melhor para realizar esse trabalho. Então, muitos amigos, principalmente os colegas de profissão, a incentivaram a concorrer. Na inscrição, existiam diversas partidas para a escolha de narração. Então, você selecionava a que mais se sentia confortável e narrava os lances pré-selecionados pelo Esporte Interativo. Disse que a sua maior dificuldade foi a gravação fora de um estúdio, pois de forma engraçada sentia uma preocupação com seus vizinhos a escutarem gritando.

Quando recebeu a notícia de que tinha sido escolhida pela direção do programa, Elaine estava na faculdade. A narradora confessou que ao mesmo tempo em que ficou feliz, sentiu um misto de ansiedade e nervosismo ao pensar nas próximas etapas, além de se questionar se era aquilo o que ela realmente queria. Depois saiu da sala para respirar, segurou o grito e ligou para o seu pai para conversar. O maior aprendizado dentro da competição foi ter a consciência de que é sempre preciso melhorar e estar atento as oportunidades que surgem, além da troca de conhecimento com outros profissionais. “Cada um pegou um pouquinho para si, e no fim, o resultado foi o que tentávamos mostrar nas sextas-feiras”, explicou a jornalista.

Se fosse dar um conselho para alguém que está começando não só como narradora, mas como jornalista, Elaine disse que falaria para fazer as coisas com paixão, porque essa é a única forma de enfrentar os desafios que aparecem. “Porque os obstáculos vão aparecer, o preconceito vai aparecer, mas se você gostar muito do que você faz, nada vai te parar”, complementou. Pede paciência e persistência também, porque nem tudo acontece da forma como esperamos, muitas coisas estão fora do nosso controle. “Futebol é paixão. É um pouquinho do que eu fazia quando era criança, do que eu sonhava em fazer quando crescesse e é o que eu trabalho hoje. Acho que se não fosse uma das minhas paixões, não trabalharia com ele e nem prestaria tanta atenção, até quando não estou trabalhando”, disse Elaine quando pedi para que definisse esse esporte em uma palavra.

Sobre a narração da partida entre Liverpool e Roma, pela Champions League, disse que foi uma das melhores sensações que teve dentro do ramo. Para ela, foi um sentimento de realização. Em relação as mulheres, foi um sentimento de conquista e representatividade. Ao mesmo tempo, a jornalista se queixa sobre a falta de espaço. “O programa era para dar visibilidade para as mulheres e abrir espaço para as mulheres na narração, mas isso aconteceu durante um mês. Não vimos mais essas mulheres narrando, acho que os próximos passos é não só eu, mas as mulheres que participaram e querem isso para a vida continuarem trabalhando, buscando espaço e dando continuidade ao trabalho”, explicou.

“O que o programa fez foi dar visibilidade, as pessoas talvez nem soubessem que mulheres tinham essa vontade e capacidade de narrar, o programa deu destaque a isso e as participantes. Foi a principal mudança. De resto, a vida está seguindo igual, mas óbvio que sempre aparecem coisas novas para fazer. E, principalmente, na área de narração que era uma área muito fechadinha e ninguém pensava nisso”, complementou. Alguns dias depois da entrevista, Elaine recebeu o convite para narrar alguns jogos na REDEVIDA de Televisão junto com a Vivi Falconi. Em sua rede social oficializou a novidade: “Vamos narrar igual mulherzinha sim, aliás, como mulherões!” Realmente, é só o começo, mas o início promissor para aquelas que trabalham e amam o que fazem.

Fonte: Divulgação/Instagram