Luka Modric, o guerreiro croata vice campeão mundial

Por: Bárbara Jardim

“Quero que meu time vença. O resto está fora do meu controle. O que eu quero é o sucesso da seleção. Prêmios individuais não são prioridade para mim”. Afirmou Modric em entrevista coletiva concedida no sábado, 14, antes da final em Moscou. O contrário aconteceu. A seleção croata não levou o troféu de campeão mundial para casa, mas Luka Modric consagrou-se o melhor jogador da competição. Se no Real Madrid, Modric é coadjuvante. No Mundial de 2018, pôde mostrar-se ao mundo como estrela principal. Ágil, preciso e disciplinado, conquistas e sucessos estão hoje presentes na vida do jogador, mas nem sempre foi assim.

Fonte: EI Mundo

Luka Modric teve uma infância difícil. Nascido em 1985, na cidade de Zadar, o jogador pertencia a uma humilde família de pastores. Aos seis anos de idade, viu a guerra de perto. Presenciou a morte do avô Luka, de quem herdou o nome e teve ainda sua casa invadida e incendiada por milicianos sérvios. Sem ter mais onde viver, mudou-se com a família para o hotel Kolovare, que servia de abrigo para refugiados. Modric não podia deixar o local, devido aos inúmeros bombardeios e o risco de morte. Cresceu ali mesmo, onde junto a outras crianças refugiadas, teve seu primeiro contato com a bola. No estacionamento do hotel, o atual camisa 10 mostrava desde pequeno que tinha talento para o futebol. O pequeno croata chamava tanto a atenção, que funcionários do hotel o indicaram para o time local. Aos dez anos, já pertencia a uma equipe de futebol, porém não tinha dinheiro para camisas e equipamentos. As joelheiras usadas pelo jogador foram entalhadas em madeira, pelo diretor da base onde jogava.

Aos dezesseis anos, o croata foi notado pelo principal clube do país. Fechou contrato com o Dínamo Zagreb. Aos dezoito, obrigado pelo serviço militar, foi mandado para Bósnia, onde não deixou de jogar. Foi emprestado para o H.S.K. Zrinjski Mostar e ganhou seu primeiro prêmio individual, como melhor jogador do Campeonato Bósnio. De volta à Croácia, ainda passou uma temporada emprestado, dessa vez no Inter Zaprešić onde obteve mais uma conquista individual, a de Futebolista Croata Esperança do Ano. Passados os empréstimos, Modric teve seu contrato renovado por mais dez anos no Dinamo Zagreb, porém, permaneceu no clube por apenas outras quatro temporadas antes de ser transferido para o Tottenham, em uma transição que superou as quinze milhões de libras. Após pouco mais de cinco anos atuando pelo clube inglês, Luka Modric chegou ao Real Madrid e permaneceu.

Hoje, aos trinta e dois anos de idade, o camisa 10 conquistou a bola de ouro da Copa do Mundo, agradeceu e afirmou que ainda assim, preferiria uma vitória de sua equipe. Apesar do triunfo francês na partida que terminou 4 a 2, os croatas não saem sentindo-se derrotados. Em entrevista ao Daily Mail no ano de 2011, Modric declarou: “Vocês têm que entender algo sobre o povo croata, depois de tudo o que aconteceu, depois da guerra, nós somos mais fortes, mais duros. O que passamos não foi fácil, a guerra nos fortaleceu, nós não somos pessoas fáceis de serem quebradas. É difícil nos quebrar”. A afirmação permanece atual. A Croácia ainda não foi campeã mundial, mas a história de vida pela qual passaram seus jogadores, já os torna vitoriosos.

Fonte: Reprodução Instagram