O 7 a 1 que me reaproximou da Seleção Brasileira

Enquanto muitos se afastaram da Seleção Brasileira após o desastroso 7 a 1, contra a Alemanha, na Copa do Mundo de 2014, comigo a história foi totalmente ao contrário… Mas vamos começar do início, lá em 2013, quando eu resolvi não torcer para o Brasil. Futebol para mim sempre foi algo de ligação interna. Sabe aquele time ou jogador que você mal vê e quando repara bem, seu coração já sente algo diferente? Então, para mim futebol é isso, poder sentir algo diferente, inexplicável, e a partir daí dedicar momentos, gritos e emoções para torcer e vibrar por tal camisa.

Em 2013, eu percebi que não tinha essa ligação com a Seleção brasileira. O motivo? Eu não sei explicar até hoje. Não tinha vontade de acompanhar, torcer loucamente. Porém, jamais, torci contra a seleção do meu país. Me chamaram de anti-patriota, de modinha… Foram uma sequência de xingamentos que eu nem levava a sério, pois sabia da minha paixão pelo meu país e pelo futebol, que não me deixava torcer para um time em que os meus olhos não brilhavam ao ver na TV.

Tenho uma segunda seleção, a qual meu coração está totalmente ligado, e é por ela que torci em 2014. Não passou das oitavas e, por mim, estava tudo bem. Acompanhei o Brasil, vi avançando, e, juro para você que está lendo, eu sentia que algum mal estaria por vir. E do vexame, juro mais um vez, eu queria salvar o Brasil, mesmo eu não torcendo, mas era impossível. Eis que chegou o dia do 7 a 1, lembro como se fosse ontem… Virou muito passeio, o técnico deles pediu para tirar o pé e foi ali, após o apito final que eu percebi que o Brasil precisava de mim e eu precisava do Brasil.

As lágrimas me comoveram talvez. Vi torcedores parecidos comigo, chorando, sem saber o que estava acontecendo e percebi que futebol conecta todos quando quer e me conectou ao Brasil ali. Eu não entendi no momento o que estava acontecendo, mas fui entender nas próximas disputas da seleção que eu amava esse verde e amarelo de uma forma especial. Passei pela fase em que quase não nos classificaríamos para a Copa , e sofri com isso de uma forma inexplicável, mas senti um alívio quando vi Tite chegar.

Vi o individual virando coletivo, vi os torcedores de cabeça baixa, não esperando muito pela Copa 2018. Me vi comprando camisa verde e amarela, me vi emocionada em vários comerciais de TV quando o assunto era Copa do Mundo. Me vejo hoje, acreditando que o HEXA é possível e que o Brasil merece um futebol bonito, porque se tem um povo que merece muita alegria, esse povo são os torcedores, que acreditam independente do momento.

Descobrir que ser apaixonada pela seleção do meu país não é nenhum bicho de sete cabeças, assim como torcer para outra não te transforma em um anti-patriota. Mas foi bom ver que me permitir voltar a sentir alguma coisa pela seleção e que hoje, aqueles que vestem a camisa, podem contar comigo de todas as formas possíveis, porque eu estou acreditando neles até o fim do segundo tempo.

Fonte: Reuters/Eddie Keogh